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Vaticano

Papa Leão XIV reafirma visão da Igreja sobre monogamia

Decreto doutrinal ressalta que monogamia oferece base mais profunda para o matrimônio e para o vínculo afetivo

Papa Leão XIV e cardeal Fernández discutem a monogamia em resposta a práticas poligâmicas e poliamorosas - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Papa Leão XIV e cardeal Fernández discutem a monogamia em resposta a práticas poligâmicas e poliamorosas - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 25/11/2025, às 19h02


O Vaticano voltou a se posicionar de forma clara sobre o modelo de relacionamento considerado ideal pela Igreja Católica. Em um decreto divulgado nesta terça-feira, aprovado pelo Papa Leão XIV, a Santa Sé reafirmou a monogamia como elemento central da vida conjugal. O texto destaca que a união entre duas pessoas tem um sentido que vai além da procriação, funcionando como base afetiva, espiritual e de pertencimento mútuo.

A Nota Doutrinal, apresentada pelo cardeal Victor Manuel Fernández, foi produzida após conversas com bispos de várias regiões. O documento responde a dois cenários distintos que vêm chamando a atenção da Igreja. De um lado, o crescimento de práticas poligâmicas em países africanos. De outro, a difusão de relações não monogâmicas no Ocidente, especialmente as que se identificam com o termo poliamor.

Segundo o decreto, a monogamia não deve ser entendida apenas como contraposição à poligamia, mas como uma visão mais ampla do matrimônio. O texto afirma que a sexualidade tem uma finalidade unitiva, capaz de aprofundar o vínculo exclusivo entre os parceiros e de evitar que um trate o outro como mero objeto. Para o Vaticano, essa compreensão mais profunda favorece relações mais estáveis e humanas.

O documento também aprofunda a noção de caridade conjugal, definida como o amor que eleva e sustenta o casamento. A caridade, explica a Nota, não se limita a sentimentos passageiros. Envolve um laço afetivo que leva cada pessoa a reconhecer a outra como parte essencial de si. Esse tipo de relação, argumenta o Vaticano, exige dedicação plena e, por isso, seria incompatível com arranjos que incluem múltiplos parceiros.

Com a publicação do novo decreto, a Igreja busca orientar fiéis e líderes religiosos em um momento de transformação cultural, no qual diferentes modelos de relacionamento ganham visibilidade. A expectativa é que o documento sirva de referência para debates pastorais e ajude a reafirmar a posição da Igreja sobre o sentido espiritual e humano da vida conjugal.


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