Consulado exige esclarecimentos sobre amputação causada por colegas

Gabriela Nogueira Publicado em 19/11/2025, às 17h25
O consulado brasileiro no Porto está acompanhando de perto o caso do menino de nove anos que teve parte de dois dedos amputados dentro de uma escola em Cinfães, no norte de Portugal. A representação diplomática iniciou conversas oficiais com as autoridades locais para esclarecer o que levou ao episódio e entender por que ele aconteceu dentro de um ambiente que deveria garantir segurança às crianças.
A equipe do consulado também procurou a mãe do garoto, Nívea Estevam, oferecendo apoio jurídico e psicológico. O objetivo é garantir que a família não enfrente sozinha as consequências do trauma e tenha acesso a orientação adequada em todas as etapas do processo.
O incidente ocorreu no dia 10 de novembro na Escola Básica Fonte Coberta. Informações preliminares indicam que o menino teria sido machucado por colegas, que usaram a porta do banheiro para pressionar seus dedos, causando a amputação parcial. A possibilidade de que o ataque tenha sido motivado por xenofobia ou racismo acendeu o alerta entre familiares, autoridades brasileiras e organizações que acompanham casos de discriminação.
Segundo a mãe, o menino já vinha sofrendo bullying por ser brasileiro e vinha relatando incômodos com a convivência na escola. O caso repercutiu na imprensa portuguesa e levou a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a questionar o Ministério da Educação sobre a gravidade do episódio e sobre o risco de ele fazer parte de um padrão de violência racial e xenofóbica contra alunos estrangeiros.
Para garantir respostas mais claras, o embaixador do Brasil em Lisboa, Raimundo Carrero, enviou um pedido formal aos ministérios portugueses responsáveis pela área de segurança e educação. Ele solicitou providências caso seja confirmada qualquer motivação discriminatória no ataque.
A mãe decidiu relatar o caso nas redes sociais depois de sentir que não recebeu a devida atenção das autoridades locais. Ela afirma que a escola tratou o episódio como um simples acidente e que, ao procurar a polícia para registrar a ocorrência, encontrou resistência. De acordo com Nívea, um policial teria reagido de forma desdenhosa quando ela mencionou a possibilidade de racismo, dizendo que em Portugal todos são iguais e que, se a escola classificou o caso como acidental, deveria permanecer assim.
O acompanhamento do consulado e o pedido de esclarecimentos à diplomacia portuguesa pretendem pressionar para que a investigação avance de maneira rigorosa e transparente. A família aguarda respostas e espera que o caso sirva de alerta para situações de violência e discriminação dentro das escolas.
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