Israel desqualificou o pedido da África do Sul como moralmente repugnante

Ana Rodrigues Publicado em 19/03/2024, às 08h21
Israel solicitou à Corte Internacional de Justiça (CIJ) que não emita ordens de emergência para aumentar a ajuda humanitária a Gaza para lidar com a fome iminente, desqualificando o pedido da África do Sul para fazê-lo como "moralmente repugnante".
De acordo com o UOL, um documento jurídico foi apresentado ao tribunal superior das Nações Unidas, que foi tornado público nesta segunda-feira (18), Israel alegou que "tem uma preocupação real com a situação humanitária e com vidas inocentes, conforme demonstrado pelas ações que tomou e está tomando" em Gaza durante a guerra.
Os advogados de Israel negaram as acusações de que o país causa sofrimento humanitário, de forma deliberada no enclave, onde milhares de pessoas morreram e a fome se intensifica.
Ainda disseram que, os sucessivos pedidos da África do Sul por medidas adicionais configuram abuso de procedimentos.
O documento ainda sustenta que as acusações da África do Sul, no pedido das novas medidas que foi apresentado em 6 de março são "totalmente infundadas de fato e de direito, moralmente repugnantes e representam um abuso tanto da Convenção sobre Genocídio quanto do próprio tribunal".
A nova troca de interações das partes faz parte do processo apresentado pela África do Sul, que acusa Israel de genocídio liderado pelo Estado em Gaza, após os ataques militantes do Hamas em 7 de outubro.
Em janeiro, a CIJ, conhecida como Corte Mundial, ordenou que Israel se abstivesse de quaisquer atos que pudessem ser enquadradas na Convenção de Genocídio e que, ainda garantisse que suas tropas não cometam atos genocidas contra os palestinos em Gaza.
Israel negou ter os civis palestinos como alvos, argumentando que seu único interesse é aniquilar o Hamas. Porém, as agências de assistência alegam que, a ajuda aos 2,3 milhões de habitantes de Gaza passa por severas restrições.
As medidas de emergência da CIJ servem como injunções temporárias, destinadas a impedir que uma situação se deteriore antes que a corte possa analisar o caso completo.
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