Protestos pela morte da jovem continuam em várias cidades

Agência Brasil Publicado em 22/09/2022, às 15h44
O pai da jovem de 22 anos que morreu sexta-feira passada (16) no Irã, quando estava sob custódia policial, acusou as autoridades de mentirem sobre a causa da morte da filha. Os protestos prosseguem em várias cidades iranianas, apesar da tentativa do governo de conter a dissidência com um corte na internet.

As autoridades afirmam que a jovem morreu depois de sofrer “um ataque cardíaco” e ficar em coma, mas o pai afirma que Mahsa Amini não tinha nenhum problema cardíaco.
“Eles estão mentindo. É tudo mentira. Por muito que eu implorasse, não me deixaram ver a minha filha”, afirmou Amjad Amini à BBC.
Amini, que era curda, foi sepultada sábado 17) em sua cidade natal, Saquez, no Oeste do país. Foi no funeral que o pai viu o corpo da filha, que estava completamente embrulhado, exceto pés e rosto.
Segundo Amjad Amini a filha tinha hematomas nos pés. “Não tenho ideia do que lhe fizeram”.
Masha Amini, de 22 anos, foi presa em 13 de setembro por “vestir roupas inadequadas”, pela polícia de moralidade na região do Curdistão, unidade responsável por fazer cumprir o rígido código de vestuário na República Islâmica. Faleceu três dias depois da detenção.
Os protestos chegaram à cidade sagrada de Qom, local de nascimento do líder supremo iraniano Ali Khamenei, que discursou em evento em Teerã sem mencionar as manifestações no país.
Os protestos ocorrem nas ruas de 15 cidades iranianas, localizadas no noroeste e Sul do país, assim como na capital. Para tentar travar os protestos, o governo decidiu desligar as redes móveis de internet e bloquear o acesso ao Instagram e Whatsapp.
Os manifestantes, em fúria, bloquearam estradas, incendiaram contentores de lixo e veículos da polícia, atiraram pedras contra as forças de segurança e gritaram slogans antigovernamentais, segundo a agência de notícias oficial Irna.
A polícia usou gás lacrimogêneo e fez detenções para dispersar a multidão, informou também a agência.
Homens e mulheres, muitas da quais tiraram o lenço islâmicoda cabeça e queimaram, têm se juntado em Teerã e outras grandes cidades.
“Não ao lenço, não ao turbante, sim à liberdade e à igualdade”, gritaram os manifestantes numa manifestação em Teerã, slogan que foi repetido em protestos solidários no exterior, incluindo Nova york e Istambul.
Vídeo filmado na cidade de Shiraz, no Sul do país, mostra as forças de segurança abrindo fogo contra participantes das manifestações.
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