Haddad promete apoio às empresas afetadas e destaca a importância das negociações comerciais

Gabriela Thier Publicado em 31/07/2025, às 14h46
A Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos contatou o Ministério da Fazenda do Brasil com o intuito de agendar uma reunião para discutir as tarifas elevadas implementadas pelo governo de Donald Trump sobre algumas exportações brasileiras. Embora ainda não tenha sido definida uma data específica para o encontro, este diálogo representa um passo significativo nas relações comerciais entre os dois países.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que a assessoria do secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, fez contato na quarta-feira (30) para iniciar a programação de uma nova conversa. O último diálogo ocorreu em maio, na Califórnia, antes da imposição das tarifas de 50%.
Haddad enfatizou que essa nova rodada de negociações é apenas o início do processo. "Estamos começando em uma posição mais favorável do que se previa, mas ainda há um longo caminho pela frente. As medidas anunciadas recentemente foram injustas", afirmou o ministro.
Importante notar que cerca de 700 produtos ficaram isentos da tarifa de 50% imposta ao Brasil. De acordo com as estimativas, aproximadamente 43% dos valores exportados para os EUA não estão sujeitos a essa tarifa. No setor mineral, por exemplo, cerca de 25% dos produtos foram afetados.
Apesar das isenções, Haddad alertou para o impacto severo que essas tarifas têm sobre certos setores e anunciou que o governo planeja implementar medidas de apoio para as empresas prejudicadas. "Existem casos que exigem atenção imediata. Nos próximos dias, apresentaremos parte do nosso plano para oferecer suporte e proteção à indústria e aos empregos", declarou.
O pacote de assistência aos setores impactados deverá incluir linhas de crédito e suporte às empresas afetadas. O ministro expressou alívio pelos setores que foram poupados das tarifas, mas ressaltou a necessidade de proteger aqueles ainda atingidos, especialmente os segmentos menores e mais vulneráveis.
"Alguns setores podem não representar grandes números nas exportações, mas seu impacto é significativo. Mesmo setores maiores que lidam com commodities terão que se adaptar às novas condições", acrescentou Haddad.
Ele destacou que a adaptação pode ser um processo lento e que as soluções devem ser analisadas caso a caso. "Não é possível alterar um contrato rapidamente; por isso teremos linhas de crédito disponíveis para auxiliar nesse processo", explicou.
No entanto, Haddad também reforçou que tentativas de interferência política no âmbito do Judiciário brasileiro não devem ser parte das discussões comerciais. O ministro afirmou: "O Brasil é uma das democracias mais robustas do mundo e devemos esclarecer que a perseguição ao ministro da Suprema Corte [Alexandre de Moraes] não contribui para uma aproximação entre os dois países".
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