Governo Lula busca soluções emergenciais

Gabriela Thier Publicado em 31/01/2025, às 16h33
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada ao apoio de migrantes e refugiados, notificou o governo brasileiro sobre sua exclusão da recente rodada de financiamento humanitário disponibilizada pelos Estados Unidos. Essa decisão representa um desafio significativo para a Operação Acolhida, programa que visa oferecer suporte a imigrantes venezuelanos no norte do Brasil.
A exclusão do Brasil ocorre após a administração anterior de Donald Trump ter interrompido o repasse de verbas para diversas iniciativas da ONU. Embora Washington tenha reestabelecido os financiamentos, a prioridade foi direcionada a regiões como Iraque, Síria e Faixa de Gaza. Conforme indicado pela OIM, "no México, apenas recursos para ações na fronteira estão autorizados", evidenciando um endurecimento das políticas migratórias por parte do governo Trump.
Os Estados Unidos são responsáveis por cerca de 60% dos recursos disponíveis à OIM. Dado que a agência opera com projetos específicos e não tem a flexibilidade de remanejar verbas entre diferentes iniciativas, a exclusão do Brasil compromete severamente a continuidade da Operação Acolhida.
A OIM desempenha uma função crucial na gestão de abrigos e na oferta de serviços médicos e de identificação para refugiados venezuelanos que chegam ao Brasil. Com a suspensão dos repasses, o governo liderado por Lula (PT) se vê obrigado a formular uma estratégia emergencial para garantir o funcionamento da operação.
Entre as medidas que estão sendo consideradas, está a contratação de aproximadamente 40 profissionais terceirizados pela Polícia Federal (PF) para suprir a ausência dos funcionários da OIM que realizavam triagens e prestavam assistência aos migrantes na fronteira com Roraima. De acordo com informações obtidas junto ao diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, não há viabilidade de deslocar agentes efetivos para preencher essa lacuna.
A retirada do Brasil da nova rodada de financiamentos aumenta a pressão sobre o governo federal, que precisará encontrar alternativas para evitar um colapso nos serviços prestados aos refugiados. A continuidade da Operação Acolhida agora depende da capacidade de resposta da administração Lula e da possibilidade de estabelecer parcerias com organizações internacionais que ainda possam dispor de recursos para lidar com a crise migratória venezuelana.
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