
por Marcelo Emerson
Publicado em 03/10/2024, às 08h35
Tivemos a oportunidade única de conversar com Vernon Reid, guitarrista e fundador do Living Colour. A banda de Nova York estará em turnê pela América Latina, com alguns shows pelo Brasil. O show de São Paulo será no dia 12 de outubro, no Tokio Marine Hall. Outras cidades que terão a apresentação do Living Colour são as seguintes: Rio de Janeiro (10/12), Belo Horizonte (11/10), Brasília (13/10), Santiago, Chile (15/10) e Buenos Aires, Argentina (17/10).
Nesta coluna farei algo diferente do usual. Seguiremos com a transcrição do bate-papo com o talentoso músico, que acumula diversos sucessos com o Living Colour, uma banda cuja sonoridade passa por rock n’ roll, jazz, soul, blues e fusion.
Confiram a primeira parte da conversa com o gentil e interessante Vernon Reid.
Diário SP: Quais são suas expectativas para os shows no Brasil?
Vernon Reid: Estou ansioso por isso, procuro não ter muitas expectativas porque você sabe que quando eu tenho expectativas posso me decepcionar, então estou ansioso para tocar para as pessoas.
Diário SP: Artistas costumam dizer que o local do show atual é o melhor do mundo (rs).
Reid: Sim (rs).
Diário SP: Mas qual é a diferença do público brasileiro em comparação com os públicos de outros países?
Reid: O Brasil tem um espírito que é único, pois tem um orgulho único. E o Brasil tem desafios únicos e eu acho que há muitos clichês sobre o Brasil, O Carnaval e as praias. Mas você sabe que o Brasil é um país muito mais complicado e com muitos grupos étnicos diferentes. É um país brilhante para a engenharia, é um país brilhante para a música e é um país brilhante para a música e os grafiteiros. Com certeza a dança brasileira, as artes marciais brasileiras, todas as diversas atividades. A comida é fabulosa, é assim que me sinto em relação ao Brasil.
Diário SP: Você falou da arte brasileira. O que você conhece sobre a música brasileira?
Reid: Bom, são coisas muito óbvias para falar sobre Tom Jobim, Milton Nascimento, Egberto Gismonti, Nana Caymmi. Quer dizer, tem todos esses artistas que são maravilhosos. Penso em Hermeto Paschoal, como todos esses artistas maravilhosos e acabamos de perder o Sergio Mendes (nota: o músico brasileiro faleceu no dia 5 de setembro). E o Sergio Mendes em vários aspectos ele é um... quero dizer, eu acho que muitos brasileiros ficam admirados, porque ele é um dos primeiros artistas de crossover, muita gente foi apresentada à música brasileira por causa dele, que fez discos maravilhosos. Eu amo a música dele. Sou um grande fã, tenho alguns discos deles que são ótimos, interessantes, muito vanguardistas.
Arto Lindsay é um amigo pessoal e adorei o projeto, Ambitious Lovers. Gravei algumas músicas para eles e acho que ele é um artista brilhante. Por muitos anos toquei com um baixista canhoto chamado Hank Schroy, que é meio brasileiro e meio sulista. Ele cresceu em Atlanta (EUA) e fez parte da minha música por muito tempo. É um músico brilhante.
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