Redução de 14,5% reflete alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio, mas combustível ainda acumula alta de mais de 40% no ano

Letícia Sales Publicado em 01/07/2026, às 12h46
A Petrobras vai reduzir em 14,5% o preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras a partir de julho. Segundo a estatal, o corte representa uma queda de R$ 0,81 por litro em comparação ao valor praticado no mês anterior.
De acordo com a empresa, a redução está diretamente ligada ao enfraquecimento dos preços internacionais do combustível, que perderam força após a diminuição das tensões geopolíticas no Oriente Médio — fator que vinha pressionando as cotações nos últimos meses. Os reajustes do QAV seguem uma periodicidade mensal, sendo aplicados sempre no início de cada mês, conforme previsto em contrato entre a Petrobras e as distribuidoras.
Segundo corte consecutivo
Este é o segundo mês seguido em que a Petrobras reduz o preço do combustível. Em junho, a estatal já havia promovido um corte de 14,2%, equivalente a R$ 0,93 por litro, encerrando uma sequência de reajustes para cima que vinha sendo registrada desde março.
Mesmo com as duas quedas consecutivas, o QAV ainda acumula alta expressiva no ano: o combustível está 40,5% mais caro em 2026. Na comparação com o preço praticado em dezembro de 2025, o litro segue R$ 1,39 mais caro atualmente.
Impacto no setor aéreo
O querosene de aviação é o combustível utilizado pela maior parte dos aviões comerciais. Produzido a partir do refino do petróleo, o QAV é formulado especificamente para operar com segurança em motores a jato, suportando condições extremas de temperatura e altitude.
Para as companhias aéreas, o combustível representa um dos principais custos operacionais. Em períodos de alta do petróleo ou do dólar, seu preço tende a subir, o que costuma elevar as despesas das empresas do setor e, em alguns casos, pressionar o valor das passagens repassado aos consumidores.
Com a redução anunciada pela Petrobras, o custo do combustível deve diminuir para as distribuidoras, o que pode representar um alívio parcial nas despesas das companhias aéreas. Ainda assim, a queda no preço do QAV não garante uma redução imediata no valor das passagens, já que outros fatores — como demanda, câmbio e concorrência entre as empresas — também influenciam diretamente o preço final cobrado dos passageiros.
Pressão recente veio do Oriente Médio
Nos últimos meses, o preço do QAV havia sido pressionado pela escalada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelo temor de interrupção no transporte da commodity pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio mundial de petróleo.
O reflexo dessa pressão já havia aparecido nos preços ao consumidor. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o valor médio das passagens aéreas domésticas atingiu R$ 632,53 em maio, alta de 11,2% em relação ao mesmo mês de 2025. No mesmo período, o litro do querosene de aviação chegou a R$ 6,46, avanço de 68,5% na comparação anual, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
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