Diário de São Paulo
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Racismo

Passageiros retiram homem de ônibus após ofensas racistas contra motorista no Rio

Caso aconteceu em ônibus da linha 754 e foi registrado como injúria por preconceito; investigação pode mudar a tipificação do crime

Homem é retirado de coletivo após insultos racistas contra motorista na Zona Oeste do Rio - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Homem é retirado de coletivo após insultos racistas contra motorista na Zona Oeste do Rio - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Julio Cezar Souza Publicado em 01/07/2026, às 11h47


Um homem foi retirado à força de um ônibus por passageiros após fazer ataques racistas contra a motorista do coletivo, no último sábado (27), na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O caso aconteceu durante uma viagem da linha 754, que liga Santa Cruz ao Terminal Deodoro.

Imagens gravadas por testemunhas mostram o momento em que o passageiro direciona ofensas contra a motorista Thayane Martins, de 33 anos, utilizando termos relacionados à cor da pele e afirmando que ela teria conseguido o emprego por meio de cotas raciais.

A situação gerou revolta entre os demais passageiros, que decidiram intervir e retirar o homem do ônibus. Durante a confusão, pessoas presentes no veículo condenaram as falas do suspeito e afirmaram que as declarações configuravam racismo.

Segundo o relato da motorista, a discussão começou após ela pedir que o passageiro passasse pela roleta. Thayane afirmou que o homem aparentava estar desorientado e quase caiu dentro do coletivo antes do início dos ataques.

Em entrevista, a profissional contou que o passageiro continuou com os insultos mesmo após ela começar a registrar a situação pelo celular. Segundo ela, o homem questionou sua capacidade profissional e associou sua ocupação às políticas de cotas raciais.

A motorista afirmou ainda que já sofreu outros episódios de racismo desde que começou a trabalhar como condutora, há cerca de cinco anos, mas que anteriormente não conseguiu formalizar as denúncias.

Investigação policial
O caso foi registrado na 59ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro como injúria por preconceito. A Polícia Civil informou que a classificação do crime pode ser alterada durante o andamento das investigações, que buscam identificar oficialmente o autor das ofensas.

Após o episódio, Thayane publicou um desabafo nas redes sociais e afirmou que sofreu uma agressão dentro do próprio ambiente de trabalho.

"Racismo não é brincadeira, não é opinião e não é frescura. Racismo é crime. Ninguém tem o direito de me diminuir por causa da cor da minha pele", escreveu a motorista.

Ela também destacou que permanece no cargo por sua dedicação e competência profissional.

O sindicato Rio Ônibus repudiou o ocorrido e informou que ofereceu assistência à motorista. A entidade afirmou que seu departamento jurídico acompanha o caso.

A empresa responsável pela operação da linha ainda não havia se manifestado sobre a ocorrência até a última atualização.