
por Marcelo Emerson
Publicado em 28/05/2026, às 10h00
Caros leitores, já pararam para pensar no alto nível de sacrifício psicológico quanto a do Policial Militar? Ele nunca abandona a missão. A farda continua existindo dentro dele. A vigilância permanece. O senso de dever permanece.
Este colunista teve a honra de entrevistar o Sgt. Cavalcanti, Veterano de ROTA (respeitada unidade de elite da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).
Cavalcanti nos disse: “O peso da farda, quase sempre, faz com que o Policial Militar não possa se dar ao luxo da depressão, da tristeza, de uma doença que não avisa, que não fala, que não tem sintomas, porque o peso da farda faz com que aquele guerreiro, aquela guerreira, estejam prontos para defender, ajudar, auxiliar, aquelas pessoas que precisam deles diariamente, o peso da farda não chega a ser um peso, ele chega a ser uma necessidade para a sociedade.”
A fala do Sargento revela uma realidade dura que a maioria da sociedade não vivencia e que descreve o drama silencioso de homens e mulheres que, mesmo emocionalmente abalados, precisam continuar operacionais para proteger pessoas que eles sequer conhecem.
O policial militar sente medo, tristeza, angústia e exaustão como qualquer pessoa. A diferença é que sua missão frequentemente exige que ele coloque tais sentimentos em segundo plano para enfrentar situações que a maioria jamais suportaria encarar. Enquanto boa parte da sociedade dorme, confraterniza ou segue a rotina cotidiana, há policiais entrando em vielas dominadas pelo crime organizado, enfrentando criminosos fortemente armados e respondendo, em frações de segundo, a ameaças capazes de destruir famílias inteiras.
Quando há início de disparos de tiro de arma de fogo e a maioria da população (justificadamente) foge, os Policiais Militares correm em direção à cena do crime. O Policial Militar está na linha de frente desse enfrentamento. É ele quem se expõe primeiro e que, muitas vezes, oferece o próprio corpo como barreira entre a violência e a população civil.
Há uma dimensão quase invisível nesse sacrifício: o policial sabe que sua fraqueza emocional, ainda que legítima, pode custar vidas. Um instante de hesitação pode significar a morte de um companheiro, de um inocente ou dele próprio. Torna-se uma obrigação moral permanente de permanecer firme mesmo quando a mente pede descanso.
Cavalcanti traz uma fala crua, visceral, mas que encerra uma verdade difícil: “Depressão? Espera, aguarda, entra na fila, que o peso da farda fala mais alto no apoio no auxílio na ajuda na sociedade, às pessoas do bem”
A frase soa dura porque é sobre uma cultura operacional extrema, construída no ambiente do combate cotidiano. É a lógica de homens e mulheres que aprendem de maneira brutal que a missão vem antes do conforto individual. Não porque deixe de sofrer, mas porque entende que há pessoas dependendo de sua capacidade de continuar.
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