
por Marcelo Emerson
Publicado em 21/05/2026, às 08h00
Este colunista vai elencar aqui os shows que foram os destaques do segundo dia do festival Bangers Open Air, exceto pelo Within Temptation, que foi tema de uma coluna especial e exclusiva.
O Visions of Atlantis deu início aos trabalhos. Com presença de palco impecável, execução precisa e uma combinação quase cinematográfica entre peso e melodia, o grupo confirmou ser a melhor banda a abrir o festival em todas as suas edições. O carisma de Clémentine Delauney e Michele Guaitoli e a força das composições transformaram o show em uma experiência coletiva rara, dessas em que o público percebe que está diante de algo especial já na primeira música.
Smith/Kotzen trouxe uma aula de sofisticação musical. Repertório elegante, técnico e surpreendentemente acessível, provando que virtuosismo não precisa ser sinônimo de frieza. Blues, hard rock e soul dividiram espaço em um show maduro e refinado. Encerraram com a desnecessária "Wasted Years" para "fazer uma média" com os fãs do Iron Maiden. Soou forçada.
Já o Winger entregou uma das grandes surpresas do fim de semana. Durante décadas injustamente associado apenas ao glamour farofa do hard rock oitentista, o grupo mostrou músicos extraordinários e um repertório sofisticado. Foi um show tecnicamente impecável, energético e emocional, lembrando a todos por que a banda conquistou respeito tardio entre músicos e fãs mais atentos, apesar do estrago do "haterismo" do Metallica nos anos 90.
A banda sueca Amaranthe foi a grande revelação do festival, misturando metal moderno, ganchos pop, música eletrônica e agressividade extrema. Dinâmico, pesado e absurdamente eficiente ao vivo, o show foi uma demonstração clara de como o metal moderno pode dialogar com novas gerações sem perder intensidade.
O retorno do Nevermore carregava enorme expectativa com a inevitável carga emocional diante da ausência irreparável de Warrel Dane e da estreia brasileira de Berzan Önen. O show foi uma celebração de um legado.
Outro momento de puro respeito histórico veio com Dirkschneider. Udo segue sendo uma entidade do heavy metal tradicional. Sua voz continua agressiva, inconfundível e poderosa, conduzindo um desfile de clássicos que reafirmaram a força eterna do metal germânico. Sem firulas, sem excessos visuais: apenas riffs, peso e autoridade.
E houve ainda espaço para emoção genuína com Roy Khan. Dono de uma das vozes mais marcantes do metal melódico, Khan protagonizou um dos shows mais aguardados do festival e teve ao seu lado um brasileiro que merece destaque especial: Caio Kehyayan. Seguro, técnico e extremamente respeitado pelos fãs, Caio mostrou personalidade e competência em uma parceria que poucos músicos nacionais conseguem alcançar. Conversei com o guitarrista e o novo álbum do Roy Khan vai contar com muitas composições do brasileiro. Além disso, cobrei o segundo álbum da excelente banda liderada por ele, FireWing.
Ao final do domingo, ficou a sensação de que o Bangers Open Air encontrou definitivamente sua identidade: um festival capaz de unir tradição e renovação sem parecer artificial. Em tempos de line-ups previsíveis e eventos cada vez mais pasteurizados, isso vale muito.
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