Com a produção de plástico superando 430 milhões de toneladas, a poluição por microplásticos se torna uma questão crítica

por Mara Machado
Publicado em 05/06/2025, às 07h59
Meio ambiente e saúde caminham lado a lado, mais do que se imagina. Há tempos vem sendo exposta a necessidade de reduzir o uso de plásticos, devido ao acúmulo de resíduos na natureza. Já se falou das tartarugas afetadas pelos canudos de plástico, da poluição geral dos oceanos, com animais marinhos presos e mortos em lixo plástico, dos efeitos em diversos ecossistemas e da baixa degradabilidade do material. A lista é enorme.
Mas ultimamente algo parece estar ameaçando diretamente a saúde das pessoas, despertando a preocupação de médicos e pesquisadores da saúde. São os microplásticos. Partículas menores que 5 milímetros, esses resíduos podem ser pequenos, mas têm grande potencial para afetar a nossa saúde.
Os microplásticos estão presentes em alimentos, água e até no ar que respiramos. Estudos recentes identificaram o material em órgãos vitais como pulmões, sangue, leite materno e placentas humanas. Embora os efeitos de longo prazo ainda estejam sendo investigados, evidências iniciais sugerem riscos significativos, incluindo inflamações, desregulação hormonal e potencial ligação com doenças graves.
A produção global de plástico ultrapassa 430 milhões de toneladas por ano, com dois terços desse volume se tornando resíduos rapidamente. Cerca de 12 milhões de toneladas acabam nos oceanos anualmente, afetando a vida marinha e, consequentemente, a cadeia alimentar humana.
Diante desse cenário, é imperativo que políticas públicas eficazes sejam implementadas para reduzir a produção e o consumo de plásticos descartáveis, promover a reciclagem e incentivar práticas sustentáveis. Países como o Canadá e membros da União Europeia já adotaram medidas para banir certos plásticos de uso único, servindo de exemplo para ações similares em outras nações.
No Brasil, iniciativas como o Projeto de Lei 2524/2022, que visa regulamentar o uso de plásticos, são passos importantes, mas ainda há muito a ser feito. A conscientização da população, aliada a políticas eficazes e à colaboração entre governos, empresas e sociedade civil, é fundamental para enfrentar essa crise ambiental e de saúde pública.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), é nosso dever reconhecer a gravidade da poluição por microplásticos e agir de forma proativa. A ameaça já está consolidada. Agora, precisamos agir para resgatar práticas sustentáveis e garantir um futuro melhor. Proteger o meio ambiente é também promover saúde e bem-estar para a população e as próximas gerações.
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