Diário de São Paulo
Siga-nos
Reconhecimento

Influência política de "Waguinho Batman" não impede elogios por sua prisão

Secretaria da Segurança Pública do Espírito Santo publica menção de elogio coletivo aos policiais responsáveis pela operação que localizou e prendeu o criminoso

"Waguinho Batman" segue preso no Rio de Janeiro - Imagem: Reprodução | Redes Sociais
"Waguinho Batman" segue preso no Rio de Janeiro - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

Jair Viana Publicado em 24/07/2026, às 19h05


Mesmo após quase dois anos em que Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como "Waguinho" ou "Batman", permaneceu foragido da Justiça e em meio a suspeitas de que sua influência alcançava setores políticos e agentes públicos, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) decidiu reconhecer oficialmente o trabalho dos policiais responsáveis por sua captura.

A homenagem foi publicada no Diário Oficial do Estado por meio da Portaria nº 134-S, de 23 de julho de 2026. No documento, o secretário de Estado concede menção de elogio coletivo às equipes da Polícia Civil do Espírito Santo que participaram da investigação e da operação que resultou na prisão do investigado, em 14 de julho, na cidade de Itaguaí (RJ).

Segundo a portaria, a captura foi resultado de uma operação de "elevada complexidade", construída a partir da integração entre as Polícias Civis do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, envolvendo produção de inteligência, planejamento estratégico e diligências coordenadas.

O documento destaca que Gilbert Wagner Antunes Lopes permaneceu foragido por aproximadamente dois anos após ter contra si mandado de prisão expedido pela Justiça capixaba em investigação sobre o homicídio do vereador Marcos Augusto Costalonga (PL), ocorrido em 2021, no município de Presidente Kennedy. Também registra que ele era investigado no Estado do Rio de Janeiro por suposto envolvimento com organizações criminosas ligadas às milícias armadas.

De acordo com a Secretaria, durante o período em que permaneceu foragido, o investigado adotava estratégias para dificultar sua localização. A portaria afirma que ele mantinha deslocamentos frequentes entre Presidente Kennedy, Marataízes, Itapemirim e municípios fluminenses, utilizando rede de apoio logístico e financeiro, além de portar armamento de fogo para evitar sua captura.

O texto oficial destaca que a prisão somente foi possível devido ao "elevado grau de integração institucional entre as forças policiais envolvidas", à produção de inteligência, à persistência das investigações e à atuação técnica e estratégica das equipes.

Ao justificar o reconhecimento, a Secretaria afirma que a operação representa "importante resposta do Estado ao enfrentamento da criminalidade violenta", reforçando a cooperação entre os órgãos de segurança pública e contribuindo para a preservação da ordem pública e para a aplicação da Justiça.

A homenagem ocorre em um contexto marcado por questionamentos sobre a demora na prisão do investigado e pelas circunstâncias que cercaram sua permanência em liberdade durante quase dois anos.

Reportagem publicada anteriormente mostrou que, após a prisão dos executores do assassinato do vereador, em junho de 2024, o então delegado responsável pelas investigações, Tiago Viana, foi transferido de Presidente Kennedy para Marataízes poucos dias depois da operação. À época, a justificativa oficial foi a necessidade de preservar sua segurança.

A reportagem também revelou que o então delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, negou ter sofrido qualquer tipo de pressão relacionada ao caso e afirmou jamais ter recebido interferências envolvendo Gilbert Wagner Antunes Lopes durante sua gestão.

Outro ponto que chamou atenção foi a informação de que o então juiz Marcelo Jones de Souza Noto, posteriormente aposentado compulsoriamente pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo, teria telefonado para a magistrada responsável pelo processo pedindo que não decretasse a prisão do investigado. Não há confirmação de que o pedido tenha influenciado qualquer decisão judicial.

Mais recentemente, o juiz Douglas Demoner Figueiredo determinou a soltura de três acusados de executar o homicídio do vereador, fundamentando sua decisão em excesso de prazo e irregularidades processuais. O magistrado afirmou, por meio do Tribunal de Justiça, que desconhece Gilbert Wagner Antunes Lopes e negou qualquer vínculo com o investigado.

O Ministério Público do Espírito Santo também informou que, até o momento, não foram identificados elementos que comprovem ingerência política na investigação.

Enquanto as circunstâncias que permitiram a longa permanência do investigado em liberdade continuam sendo objeto de questionamentos, o governo estadual optou por registrar oficialmente o reconhecimento às equipes responsáveis pela operação que encerrou a fuga.

Na Portaria nº 134-S, o secretário de Estado afirma que a homenagem decorre da "competência técnica, dedicação, espírito de cooperação, elevado profissionalismo e relevantes serviços prestados à segurança pública do Estado do Espírito Santo".

Receberam a menção de elogio os delegados Jordano Bruno Gasperazzo Leite, Fabrício Araujo Dutra, Romulo Carvalho Neto e Thiago Gomes Viana. Também foram homenageados os oficiais investigadores Eliomar Bahiense do Nascimento, Walter Vieira da Rocha, Augusto César Cabral e João Vitor Fiorio Macedo.

Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria da Segurança Pública e a defesa de Gilbert Wagner Antunes Lopes não haviam se manifestado sobre o elogio.


últimas notícias