
por Kleber Carrilho
Publicado em 03/08/2024, às 06h00
Nesta semana, todo o mundo viu o óbvio: a Venezuela não é uma democracia. A não ser para alguns poucos que insistem em achar que Nicolás Maduro realmente quis entender o desejo do povo, o que inclui a direção do Partido dos Trabalhadores no Brasil, ao lado de Cuba, Rússia e China, o restante do mundo reconhece o que acontece lá: uma ditadura.
Porém, o fato é que, por mais que saibamos que a ditadura existe e só se intensificou desde que Hugo Chávez se foi e deixou seu pupilo, não dá para achar que um passe de mágica, ou a simples retirada de Maduro do poder, vai resolver o problema e colocar a Venezuela entre os países mais democráticos do mundo.
A oposição, como se pode ver em cada declaração dos autointitulados líderes, está uma bagunça. Em parte, porque é mesmo difícil organizar uma frente ampla no contexto de uma ditadura, em outra parte, porque tem muita gente querendo apenas arranjar um espaço para ter uma ditadura para chamar de sua. Isso quer dizer que uma solução para um período pós-Maduro está longe de ser encontrada.
Uma coisa fica clara: as Forças Armadas, que acumularam poder nos últimos anos, não querem perdê-lo. Se Maduro cair, eles estarão lá para dar suporte ao novo grupo de poder e manter os espaços que conquistaram. Ao mesmo tempo, dificilmente alguém tem a capacidade hoje de substituir todos os que foram colocados em cargos essenciais da administração pública, ocupando as instituições. Isso quer dizer que talvez o que ocorra, com uma saída de Maduro, seja apenas uma substituição do personagem principal, com todo o restante continuando da mesma forma.
Portanto, não adianta abraçar o herói da vez, como fez o governo anterior ao reconhecer Juan Guaidó como presidente. Isso só complica a vida daqueles que, por diversos motivos, escolheram a Venezuela para viver, trabalhar e manter negócios.
Foi o que aconteceu com alguns dos nossos vizinhos nesta semana, com destaque para a Argentina. Javier Milei lacrou, usou as redes para acusar, não pensou nas consequências, resultando na expulsão de sua equipe diplomática de Caracas. Isso fez com que, com o rabo entre as pernas, ele tivesse que pedir para o Brasil assumir a representação argentina, o que trouxe imagens curiosas do hasteamento da bandeira brasileira nos prédios dos “hermanos”.
No final das contas, como a gente sabe, não se faz diplomacia com lacração. São inúmeras pessoas competentes que trabalham dia e noite para manter a estabilidade para quem vive, trabalha e faz negócios com os países, o que também é fundamental para as economias dos países, inclusive o nosso. Por isso, tratar o trabalho diplomático com a irresponsabilidade de conteúdos das redes ou questão de opinião pessoal não ajuda em nada.
Portanto, o presidente Lula, na minha visão, erra ao defender Maduro, o que não seria mesmo necessário. Mas a diplomacia brasileira acerta ao entender que, mesmo que haja possibilidades de interação e de defesa do povo venezuelano, ela existe mesmo para defender os interesses dos brasileiros.
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