
por Henrique Tatto
Publicado em 02/09/2024, às 08h30
Um vídeo do Hino Nacional cantado em linguagem neutra, no sábado (24), está circulando em todos os veículos de comunicação. Nele, o candidato Guilherme Boulos (PSOL), aparece cantando o Hino ao lado de Lula e Marta Suplicy, sem que tivessem prévio conhecimento do que ia ocorrer no comício. Nem mesmo Boulos tinha. Na última estrofe da letra, a artista contratada pela organização do PSOL, alterou a letra para o uso de linguagem neutra, o que resultou em diversas notícias e memes na internet.
Já foi exposta nessa coluna a minha indignação com a “esquerda caviar” e mencionadas algumas atitudes dessa ala, como o próprio emprego de linguagem neutra e a obstinada luta pela criação de banheiros unissex, por exemplo. De fato, não entendem o que é prioridade e não medem esforços para passar vergonha. Isso ocorre há um bom tempo e o desfecho disso sabemos qual é. Ridicularização do movimento pela luta coletiva, distorção de fatos, eleitores cada vez mais contrários à causa progressista, distanciamento da periferia, surgimento de candidatos reacionários de direita, e enfim, a eleição destes com uma série de retrocessos políticos e sociais.
Essa esquerda cultivada pelo PSOL, vem das escolas e universidades da elite paulistana, que são moradores de bairros como a Vila Madalena, Santa Cecília, entre outros. Nunca sequer pisaram numa favela, desconhecem ou nunca tiveram contato com uma situação de pobreza, as ações sociais que fazem são apenas para massagear o próprio ego e usam linguagem difícil e acadêmica para expressar suas ideias (distante da realidade da maioria que mora na periferia). É uma ala histérica, quase impossível de se dialogar, motivo pelo qual afastam eleitores mais moderados. Confortáveis em seus sofás em bairro nobre, acham soluções políticas muito simples para quem vive numa condição extremamente desproporcional a deles, sendo seus celulares a principal ferramenta para exporem suas análises e conclusões na internet.
Nem mesmo o próprio Boulos apoia esse movimento criado pelo seu partido, pois até ele apagou o vídeo vergonhoso das suas redes. Num momento crucial da campanha, em que é necessário ser mais pragmático para converter votos de um lado mais moderado da direita e de alguns indecisos (a fim de garantir a eleição e colocar um ponto final a mais um ciclo bolsonarista), essa esquerda peca pela falta de bom senso e capacidade política. É a esquerda do amor, dos contos de fadas, do “ninguém solta a mão de ninguém”, da militância arrogante e agressiva, da lacração e do cancelamento. Apenas conversam com seus iguais, pois perderam ou nunca tiveram a competência de conversar com o pobre ou com quem pensa diferente. De fato, é preciso voltar à base para aprender como efetivamente se faz política e entender que o mundo é diferente da bolha em que vivem.

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