
por Henrique Tatto
Publicado em 05/08/2024, às 06h00
No dia 20 de julho, a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) foi oficializada num evento em São Paulo, tendo como sua candidata à vice-prefeita, Marta Suplicy (PT). Pela primeira vez, o Partido dos Trabalhadores não terá um candidato próprio, em decorrência de um acordo feito entre Boulos e Lula, pelo apoio que o psolista manifestou no segundo turno das eleições de 2022.
Dessa vez, o PT contará diretamente com o apoio do PSOL, um partido que acredita ter uma pauta mais à esquerda que o Partido dos Trabalhadores. No entanto, tem sua base formada pela verdadeira “esquerda caviar”, com sua maioria presente em universidades da elite paulistana. São esses os formadores de opinião da esquerda atual, que parecem estar mais preocupados com a criação de banheiros unissex e uso de pronomes neutros, por exemplo. Porém se esquecem que isso não é prioridade para o nosso desenvolvimento, mas sim a luta pelos direitos da classe trabalhadora e a promoção de justiça social, que parecem ter ficado num segundo plano. Acredita-se que essa assintonia na condução da Prefeitura possa gerar divergências entre ambas as esquerdas, caso Boulos seja eleito.
São Paulo precisa se atentar às prioridades. Acredito que Boulos está mais alinhado às pautas do PT do que as do seu partido (PSOL). Seu movimento busca o cumprimento de um direito social básico (moradia) disposto na Constituição, em que é exercida uma pressão sob o poder público para que isso seja garantido por meio de manifestações e atitudes julgadas como radicais, sendo que o que de fato é radical, é gente morando na rua por descaso e incompetência Estado. O psolista tem uma história forte e com muita bagagem política, entretanto, seu desafio de mudar o pensamento distorcido pela direita, não será fácil.
Caso seja eleito, “Boulos invadirá sua casa com um bando de vagabundos sem-terra e terroristas.” Sim, é exatamente dessa forma que a direita pensa. Eles realmente acreditam que o movimento liderado por Boulos, entrará no seu apartamento em bairro nobre e queimará pneus na sua sala de estar. A antiga estratégia de criar pânico na cabeça das pessoas para conseguir governar, foi muito utilizada por nazistas e fascistas (Adolf Hitler e Benito Mussolini), como também por alguns que as replicam, no caso de Donald Trump e Jair Bolsonaro. A “ameaça comunista”, “o Brasil irá virar uma Venezuela” (sendo que o PT governou o Brasil por 14 anos e não se tornou), entre outros jargões.
No evento de ratificação de sua candidatura, Boulos disse que mudará a vida do paulistano, colocando a periferia em primeiro lugar. Acreditamos que ele está no caminho certo para isso. O que esperamos de Boulos, é um mandato que busque inclusão e justiça social, com criação de oportunidades, luta coletiva por igualdade para aquilo que é básico (saúde, alimentação, moradia, transporte, segurança) e continuação dos projetos da gestão de Marta Suplicy, como Centros Educacionais Unificados (CEUs), Bilhete Único (de autoria do Deputado Federal Jilmar Tatto) e Renda Mínima (de autoria do Vereador Arselino Tatto).

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