
por Henrique Tatto
Publicado em 19/08/2024, às 06h00
Após o pavoroso debate organizado pela Band TV, na quinta-feira (08), ocorreu na última quarta-feira, 14, o debate dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, promovido pelo Estadão, FAAP e portal Terra. Mais uma vez, o que vimos ali foi somente baixaria, ofensas pessoais e cenas lamentáveis. Ou seja, tudo aquilo que está longe do real propósito de debater.
Protagonizado exclusivamente pelo candidato Pablo Marçal (PRTB), o show de horrores se instalou. Marçal é um resquício do bolsonarismo ainda presente na política, cuja função é somente implantar o caos, o ódio, mentir e “lacrar” na internet. Ele é “coach” e ganha sua vida espalhando mentiras, enganando seu público e utiliza sua candidatura apenas para angariar mais alunos. É da mesma classe desses “youtubers” que se aventuram na política como Arthur do Val (o mamaefalei), cassado por ter seus áudios vazados enquanto fazia turismo sexual na guerra da Ucrânia, o Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL), entre outras figuras do MBL e vertentes da extrema-direita que apoiam ou já apoiaram Bolsonaro, mas foram excluídos por ele.
O intuito de se realizar um debate, é que os candidatos possam expor ideias, apresentar propostas, debater, divergir, e até mesmo, convergir. Infelizmente, não foi o que aconteceu, tampouco acho que está perto de acontecer nesse modelo de “nova política”, criada por essa ala. Há alguns anos atrás, assistíamos debates de alto nível, em que mesmo havendo divergências ideológicas, não havia desrespeito, no entanto tinha elegância, profundidade acerca do que estava sendo debatido, tinham preocupação genuína com as causas sociais, respeito com o eleitor que estava assistindo, e principalmente, tinham base política para tanto.
A polarização política criada por Bolsonaro, e consequentemente, pela extrema-direita nesses últimos anos, fez com que esse atual cenário tenha sido normalizado por grande parte da população. É triste presenciar essas de trocas de informações infundadas, vazias e extremamente ofensivas nas circunstâncias atuais em que vivemos. Não se trata mais o próximo com respeito, não há mais diálogo. Hoje o que importa, é provar seu ponto a todo custo, humilhar seu opositor, querer demonstrar força sem medir as consequências e levar o debate ao nível mais baixo possível.
Quantas famílias não passaram o natal juntas? Quantas famílias e amigos abandonaram seus grupos de WhatsApp? E quantos cortaram laços e pararam de se falar? Sem contar as ameaças, agressões físicas e verbais, e até mesmo, mortes decorrentes desse fato. Infelizmente, é o apelo emocional que temos que fazer, porque é nessa situação que nos encontramos e é o que essas figuras acabam refletindo na população.
A política é o meio para mudar as coisas, ela é uma obra imperfeita, é falha, contudo é a ciência mais bonita que temos. É obrigação nossa trabalhar para que ela, assim como a democracia, seja cada vez mais aperfeiçoada, pautada pelo respeito, e que seja produtiva. Que tenha propósito em ajudar os nossos semelhantes, essencialmente os que mais precisam, e consequentemente, são os que mais sofrem com esse circo criado.

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