
por Henrique Tatto
Publicado em 02/12/2024, às 08h48
Na quarta-feira, 19, a Polícia Federal prendeu um general da reserva, ex-integrante do governo de Jair Bolsonaro (PL), juntamente com outros três oficiais militares e um policial federal, todos suspeitos de envolvimento em um plano para assassinar o Presidente Lula e seu vice, Geraldo Alckmin, além de sequestrar e executar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A ação, batizada de Operação Contragolpe, é um desdobramento de um inquérito em andamento que investiga uma “organização criminosa” ligada às tentativas de golpe de Estado e de derrubada do regime democrático após as eleições presidenciais de 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno.
O que mais espanta, é a convicção da impunidade e tamanha idiotice de imprimir o plano dentro do Palácio do Planalto. A patacoada dos milicos (com sua maioria desprovida de inteligência) foi descoberta nas investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério da Justiça, que identificaram a participação de militares da ativa e da reserva, além de outros envolvidos com grupos extremistas de direita. Segundo informações divulgadas pela imprensa e por fontes do governo federal, o plano envolvia a execução dos assassinatos como parte de uma tentativa de desestabilizar o novo governo e, possivelmente, dar início a um golpe de Estado. Os envolvidos tinham como objetivo desqualificar a posse de Lula, impedindo sua chegada ao poder, e eliminar figuras-chave que eram vistas como obstáculos à ascensão de um regime autoritário. A descoberta do plano gerou um choque nas esferas políticas e sociais do Brasil, que se viu diante de uma ameaça não apenas à integridade das lideranças democráticas, mas também à própria sobrevivência da democracia no país.
A participação de militares nesse tipo de plano é uma questão preocupante, pois remete a uma longa história de envolvimento das Forças Armadas em episódios de autoritarismo no Brasil, especialmente durante o período vergonhoso da Ditadura Militar (1964-1985). O envolvimento de militares na trama de assassinato é, portanto, um sinal de que estes entulhos autoritários denominados Forças Armadas, não aprenderam com o fim da Ditadura e sempre flertam com um retorno de um regime de autoridade e controle militar. A presença de militares no centro do plano de assassinato levanta questões sérias sobre o grau de influência que os militares podem exercer na política brasileira, principalmente quando se consideram os vínculos estreitos entre Bolsonaro e as Forças Armadas, que durante seu governo foram encarregadas de diversos cargos e frequentemente se posicionaram em apoio ao inelegível.
O plano de assassinato contra Alexandre de Moraes, Lula e Alckmin representa uma das ameaças mais sérias à democracia brasileira nos últimos tempos, portanto esperamos punições severas e adequadas. As Forças Armadas nunca foram motivo de orgulho para o Brasil e estão longe de ser. Pelo contrário, elas são motivo de chacota nacional, cuja única competência que demonstram é pintar meio-fio. E ao contrário do que eles acreditam, jamais serão um poder moderador ou revisor, mas subordinados ao Estado. Sua resposta a esse evento patético será crucial para determinar se o Brasil poderá avançar na construção de uma democracia mais sólida ou se estará vulnerável a novos retrocessos autoritários.

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