A equipe de Ricardo Nunes tem motivos para comemorar o resultado das pesquisas Quaest e Datafolha

por Fábio Behrend
Publicado em 13/09/2024, às 08h37
A equipe de Ricardo Nunes tem motivos para comemorar o resultado das pesquisas Quaest e Datafolha, divulgadas essa semana. Abrir vantagem de Marçal faltando 23 dias para a eleição e saber que o prefeito tirou pontos dos adversários deve ter feito os sorrisos voltarem ao QG da campanha, no Edifício Joelma. O tempo de TV e o apoio contundente do governador Tarcísio fazem parte da subida constante de Nunes nas últimas pesquisas.
Já no QG psolista, no Pacaembu, o clima fica entre a tranquilidade e a apreensão. A leve subida de Boulos no Datafolha é considerada um bom sinal, mas a falta de comprometimento de parte do PT com a campanha prejudica uma subida consistente do candidato. A favor de Boulos também pesa o aumento considerável da rejeição a Pablo Marçal, que bateu em 44% superando os 37% de paulistanos que não votariam nele de jeito nenhum. E Boulos ainda tem uma carta (ou milhões delas) na manga para chegar ao segundo turno com força.
Enquanto os adversários já gastaram boa parte de suas verbas de campanha, o caixa de Boulos ainda está cheio, com mais de 40 milhões de reais disponíveis. Verba que pode ser utilizada na reta final do primeiro turno, nas próximas semanas, com distribuição de verbas para incentivar os candidatos a vereança mais votados a entrarem com tudo no “time Boulos”, mais equipes de rua, reforço no impulsionamento nas redes sociais e mais material de campanha.
Já no QG de Pablo Marçal (oficialmente na Avenida Brasil), o clima é de apreensão. Em queda nas intenções de voto, o ex-coach reavalia a estratégia de bater, desrespeitar e propor sonhos em vez de metas reais.
O paulistano parece não querer “normalizar absurdos”. Também pesa contra Marçal a alta rejeição e o fato de não atrair os votos de adversários como Datena e Tabata, em queda ou estacionados nas pesquisas. Isso sem falar que a relação com o PRTB está ficando insustentável. Circula no grupo de vereadores um boato (ou fato) de que Marçal teria afirmado que ninguém do partido seria aproveitado na equipe de governo se ele ganhar a eleição. A clara intenção de Marçal de disputar a presidência em 2026 também parece afugentar o eleitor paulistano.
Já tem uns quinze dias que é possível encontrar nos mais descolados camelôs do centro da cidade o boné com a letra M, popularizado pelo candidato do PRTB. Inicialmente, os ambulantes pediam 30 reais pelo boné, mas no choro saia por 20. Ontem, na Rua 25 de Março, bastava chorar um pouquinho que dava pra levar o souvenir por 10 reais, ou 3 por 20. Na política e no comércio ambulante, tudo tem um teto.
Segundo as pesquisas iniciais, apenas Tabata Amaral venceria qualquer rival em eventual segundo turno. O plano de governo dela é considerado eficiente e realista, o desempenho dela nas sabatinas é sempre bom e nos debates está cada vez melhor. Mesmo cheia de credenciais, Tabata é um fenômeno curioso – apesar de ser considerada a melhor candidata por muitos, não encanta. E por isso não decola. “Só não voto nela porque ela não tem chance”, dizem por aí. Desafio para sociólogos, cientistas políticos ou até mesmo antropólogos tentarem explicar.
O ano era 2000 e a CPI da Máfia dos Fiscais havia abalado as estruturas da prefeitura, com denúncias de corrupção em várias administrações regionais, que depois, embora passassem a se chamar subprefeituras, continuaram funcionando mais ou menos do mesmo jeito. No primeiro dia de campanha do segundo turno, em frente à mansão da rua Costa Rica, Paulo Maluf agiu de forma parecida, mas ainda mais agressiva que Pablo Marçal, ao se referir à adversária, Marta Suplicy, com adjetivos até então impublicáveis.
E como lhe era peculiar, Maluf ainda atrelou a frase ofensiva a outra pessoa, no caso, o já falecido arcebispo de Jundiaí. Eram outros tempos, ninguém publicou as ofensas à honra de Marta, muito menos o bombardeio ao candidato promovido pelos jornalistas que ali estavam, inclusive esse repórter. Maluf sabia que havia batido abaixo da linha da cintura e não ligava pra isso pois seria “regulado” pelo bom senso. Fosse hoje, com a tecnologia, seria tudo ao vivo, sem cortes, sem modos e sem freios.
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