
por Fabiana Sarmento de Sena Angerami
Publicado em 11/12/2024, às 08h28
Entre denúncias de violência policial e a candura natalina, uma espécie de “novo cangaço” avança a passos largos.
Na madrugada de dezembro, mais uma vez, a exemplo de outubro de 2021, a praça de pedágio da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, na cidade de São Vicente, litoral paulista, sofreu um ataque de criminosos fortemente armados que tentaram explodir o cofre da Ecovias.
A ação, que contou com cerca de dez indivíduos paramentados com armas de guerra, causou terror entre funcionários da concessionária e usuários, os quais ficaram sob a mira de fuzis e explosivos.
Depois de duas explosões, onde um dos bandidos morreu, assim como no ano de 2021, os criminosos não tiveram sucesso na empreitada e fugiram. Os reféns não foram feridos.
Há cerca de um mês o Aeroporto Internacional de Guarulhos foi palco de mais uma atuação audaciosa e aterrorizante. Na tarde de oito de novembro, Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, acusado da morte de dois membros do PCC e delator da mesma facção, foi morto à tiros de fuzil por dois homens encapuzados no saguão do desembarque do Aeroporto.
Essas duas ações cinematográficas, com apenas um mês de diferença, acendem um alerta vermelho no sentido de que estamos diante de uma nova espécie de criminosos. Os “fora da lei” da atualidade agem nos moldes do lendário bando liderado pelo cangaceiro Lampião, que na década de 30 aterrorizou o sertão nordestino, saqueando cidades e fazendas, torturando, sequestrando e matando pessoas com requintes de crueldade, em flagrante desrespeito e indiferença com as autoridades da época.
O agravante é que os criminosos contemporâneos se valem da tecnologia e de armas de guerra para a pratica de assaltos ou assassinatos em locais dantes ditos seguros, como pedágios, bancos e até em um Aeroporto Internacional, muitas vezes em plena luz do dia. Agem de maneira organizada, com patente descaso para com as forças de segurança e justiça, demonstrando petulância e crença na impunidade; o que lhes acaba por conferir o rótulo de integrantes de um “novo cangaço”.
É preciso que a sociedade não olhe para esses casos como situações isoladas ou fatos corriqueiros; posto que cada um de nós pode ser a próxima vítima dessa criminalidade colérica e letal, que cresce feito erva daninha, deixando um rasto de destruição, com violência, dor, danos e sangue.
É improtelável que a sociedade civil se mobilize e exija ações mais efetivas no combate à criminalidade organizada, sobretudo no tocante a exacerbação das leis penais e de execução penal, sob pena de que o “novo cangaço” se transforme em verdadeiro terrorismo doméstico.

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