
por Fabiana Sarmento de Sena Angerami
Publicado em 20/11/2024, às 08h01
A campanha “Novembro Azul” teve início no ano de 2003 na Austrália e destina-se a chamar a atenção para a saúde do homem e, sobretudo, para o câncer de próstata. O mês de novembro foi escolhido porque é no dia 17 deste mês que se comemora o dia internacional de combate ao câncer próstata.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima-se para o triênio 2023/2025 cerca de 71.730 novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil, perfazendo um aumento de 8,55% em relação ao período anterior, que foi de 65.840 casos.
O câncer de próstata é o segundo câncer mais comum entre os homens, ficando atrás, apenas, do câncer de pele. Comumente atinge homens com idade superior a cinquenta anos, homens que tenham um histórico familiar da doença, assim como àqueles expostos a fatores de risco, como sedentarismo, obesidade, alimentação rica em gorduras, poluição ambiental, excesso de álcool e cigarro.
O objetivo primordial da campanha é desenvolver o debate e promover a conscientização sobre a importância de cuidados com a saúde masculina, especialmente no tocante a ações de prevenção, que no caso do câncer de próstata, podem impedir o avanço da doença.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) asmulheres vivem em média sete anos a mais do que os homens, sendo que um dos fatores preponderantes para essa diferença é que as mulheres procuram mais os serviços de saúde do que os homens.
Prova disso são os dados do Programa Nacional de Saúde (PNS) que revelaram que no ano de 201982,3% das mulheres procuram por um médico, enquanto o percentual de homens chegou a 69,4%.
O diagnóstico preventivo do câncer de próstata, que reduz consideravelmente a mortalidade dessa doença, pode ser realizado por meio do exame conhecido por PSA (contagem do antígeno prostático específico no sangue), pelo exame de toque retal e por exames complementares, como biópsia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, cintilografia óssea e PETScan.
Contudo, é importante salientar que pesquisa realizada pelo hospital A.C.Camargo faz um alerta para o surpreendente dado de que três em cada dez homens nunca realizaram nem têm intenção de realizar o exame de toque retal. A pesquisa também revela que 44% dos entrevistados não têm conhecimento sobre métodos de prevenção do câncer de próstata.
Na verdade, os dados revelam uma circunstância que já é do conhecimento popular, ou seja, não chega a ser uma novidade o fato de que a maioria dos homens se utiliza dos mais variados subterfúgios para se esquivarem de quaisquer consultas médicas.
No entanto, quando se trata de consultas ao urologista e, notadamente, sobre a realização de exame de toque, a questão se reveste de um misto de medo, vergonha e preconceito.
Os avanços sociais e tecnológicos ininterruptos também são responsáveis por nortear o comportamento e o pensamento do homem moderno, revelando a cada instante diversas faces do universo masculino.
Nesse contexto, nos deparamos com o homem contemporâneo, com um discurso inclusivo, igualitário, progressista e politicamente correto. Ao mesmo tempo convivemos com o homem violento e abjeto, que mostra sua face por meio de dados crescentes de violência doméstica.Mas, também, não nos desvencilhamos do homem tímido e arredio, como o homem das cavernas, que não obstante toda sua força física e intelectiva, toda sua valentia e perspicácia, ainda se vê envolto no preconceito pueril de que uma consulta ou um exame para diagnosticar eventual câncer de próstata possa macular sua masculinidade ou ridicularizá-lo perante seus iguais.
Está mais do que na hora, e o “Novembro Azul” é uma ótima oportunidade para isso,do homem contemporâneo sair da caverna e enfrentar de uma vez por todas os “homens de branco”, pois somente com a prevenção poderemos mudar o cenário revelado pelo Ministério da Saúde no ano de 2023, qual seja, cerca de47 óbitos por dia por câncer de próstata no Brasil.

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