Clima mais regular favorece lavouras e amplia expectativa de exportações

Gabriela Nogueira Publicado em 17/01/2026, às 10h41
A produção brasileira de soja deve alcançar um novo patamar histórico na safra 2025/26. Projeções do setor apontam que o país pode superar a marca de 182 milhões de toneladas colhidas, resultado impulsionado por condições climáticas mais equilibradas e desempenho consistente nas principais regiões produtoras.
O volume representa um avanço expressivo em relação ao ciclo anterior, com crescimento estimado acima de 10 milhões de toneladas. Diferentemente de temporadas recentes, quando eventos climáticos extremos comprometeram parte das lavouras, o início da safra atual foi marcado por maior regularidade do clima, favorecendo o desenvolvimento das plantas em diversas fases do cultivo.
Estados do Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, voltam a ganhar destaque após perdas significativas em anos anteriores. Mesmo com ajustes nos investimentos em tecnologia em algumas áreas, o comportamento do clima reduziu riscos e elevou o potencial produtivo. Em outras regiões do país, o cenário também é de produtividade mais homogênea, o que contribui para um resultado nacional robusto.
A área plantada com soja segue em expansão, embora em ritmo mais moderado. A estimativa é de que o cultivo ocupe cerca de 48,8 milhões de hectares, crescimento pouco acima de 2% em comparação com a safra passada. O movimento indica cautela dos produtores, que mantêm investimentos em insumos e manejo com foco em ganhos de produtividade, e não apenas na ampliação de área.
Com a colheita já em andamento em algumas regiões, a expectativa positiva também se reflete no mercado externo. O Brasil deve colocar no mercado internacional um volume recorde do grão, com exportações que podem chegar a 112 milhões de toneladas. O país segue como principal fornecedor global e mantém vantagem competitiva, sobretudo nos embarques para a Ásia.
Ainda assim, o cenário internacional exige atenção. Tensões geopolíticas, negociações comerciais e possíveis sanções envolvendo grandes economias podem influenciar o ritmo das vendas ao longo do ano. Mesmo com a retomada do diálogo entre Estados Unidos e China, analistas avaliam que o Brasil continuará atendendo a maior parte da demanda chinesa, além de outros mercados do sudeste asiático.
Especialistas do setor destacam que há espaço para volumes ainda maiores de exportação, caso a demanda global se mantenha aquecida e não haja novos entraves no comércio internacional. A combinação entre safra volumosa e competitividade logística coloca o Brasil em posição estratégica, mas o desempenho final dependerá do equilíbrio entre oferta, consumo e fatores políticos fora do campo.
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