Avaliação é do ex-presidente da Petrobras diante das tensões entre EUA e Venezuela

Gabriela Nogueira Publicado em 06/01/2026, às 08h45
O Brasil pode assumir uma posição estratégica no mercado global de petróleo diante das tensões entre Estados Unidos e Venezuela. A avaliação é de Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, que vê o país como uma alternativa natural para a China em um cenário de risco sobre o fornecimento venezuelano.
Segundo Prates, os chineses hoje são responsáveis pela compra de cerca de 80% da produção de petróleo da PDVSA, estatal da Venezuela. Com os recentes desdobramentos geopolíticos envolvendo o país caribenho e a atuação dos Estados Unidos, esses contratos passam a operar sob incerteza, o que abre espaço para novos arranjos comerciais.
Nesse contexto, o Brasil surge como um fornecedor confiável. A combinação entre estabilidade institucional, ausência de sanções internacionais e a qualidade do petróleo extraído no pré-sal coloca o país em posição favorável para ampliar suas exportações. Além disso, a produção brasileira segue em trajetória de crescimento, com projetos consolidados e participação direta de empresas chinesas em blocos exploratórios.
Para Prates, o diferencial brasileiro vai além do volume disponível. O petróleo nacional é visto como competitivo no mercado internacional, tanto pela qualidade quanto pela previsibilidade da oferta. Em um ambiente marcado por disputas geopolíticas e interrupções de cadeias energéticas, esse fator pesa na tomada de decisão de grandes compradores, como a China.
A situação da Venezuela, por outro lado, limita sua capacidade de resposta. Apesar de deter uma das maiores reservas de petróleo do mundo, o país opera hoje muito abaixo do seu potencial. A produção, que poderia chegar a cerca de 3 milhões de barris por dia, permanece abaixo de 1 milhão, reflexo de anos de falta de investimentos, dificuldades operacionais e restrições externas.
Prates avalia ainda que os Estados Unidos tendem a enxergar a Venezuela como uma oportunidade estratégica, tentando reposicionar o país no mercado global de energia. Ainda assim, esse movimento não elimina os riscos de curto e médio prazo para os parceiros comerciais da PDVSA, especialmente a China.
O ex-presidente da Petrobras também destaca que o cenário energético global passa por transformações mais amplas. Embora o petróleo continue central, a disputa geopolítica começa a dividir espaço com a corrida por minerais críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e para a eletrificação da economia mundial.
Enquanto esse novo equilíbrio não se consolida, o Brasil aparece como um ator capaz de ganhar relevância imediata. Se souber aproveitar o momento, o país pode ampliar sua presença no mercado asiático e reforçar seu papel como fornecedor estratégico em um mundo cada vez mais atento à segurança energética.
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