O Banco Central mantém a taxa Selic em 15% ao ano, mas pode aumentar se a situação econômica exigir

Gabriela Thier Publicado em 18/08/2025, às 14h35
As previsões do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é considerado a principal referência de inflação no Brasil, foram revisadas para 4,95% este ano, uma diminuição em relação à estimativa anterior de 5,05%. Esta alteração marca a décima segunda redução consecutiva nas projeções, conforme divulgado no Boletim Focus do Banco Central nesta segunda-feira (18). O boletim, que é publicado semanalmente, reflete as expectativas de diversas instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.
Para os anos seguintes, as estimativas também foram ajustadas: a inflação projetada para 2026 foi alterada de 4,41% para 4,40%. As previsões para 2027 e 2028 estão em 4% e 3,8%, respectivamente.
Embora a nova previsão represente uma queda, ela ainda permanece acima do teto da meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que estabelece um alvo de 3% com uma margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais. Assim, os limites para a meta são de 1,5% como mínimo e 4,5% como máximo.
No mês de julho, a inflação oficial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou uma alta de 0,26%, influenciada por custos elevados de energia elétrica. Entretanto, o recuo nos preços dos alimentos durante dois meses consecutivos ajudou a moderar o índice. Ao considerar os últimos doze meses, o IPCA alcançou um patamar de 5,23%, ainda acima do limite superior da meta.
Taxa de Juros
O Banco Central utiliza a taxa Selic como seu principal instrumento para controlar a inflação. Atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), essa taxa sofreu uma pausa em sua trajetória de aumento após sete elevações seguidas. O Copom justificou essa decisão citando as incertezas provocadas pela política comercial dos Estados Unidos.
Em nota oficial, o colegiado do BC indicou que pretende manter os juros básicos por enquanto, mas não descartou a possibilidade de novos aumentos caso a situação econômica exija tal medida. Os analistas esperam que a taxa Selic permaneça em 15% ao ano até o final de 2025. As expectativas para os anos subsequentes são de uma redução gradual: para 12,5% ao ano em 2026; e ainda mais para 10,5% em 2027 e 10% em 2028.
O aumento da taxa Selic tem como objetivo conter uma demanda aquecida e reduzir pressões inflacionárias ao encarecer o crédito e incentivar a poupança. Contudo, os bancos consideram outros fatores ao definir as taxas cobradas dos consumidores, incluindo riscos associados à inadimplência e custos administrativos. Taxas elevadas podem dificultar o crescimento econômico.
A redução da Selic tende a tornar o crédito mais acessível, estimulando tanto a produção quanto o consumo e contribuindo para um controle mais eficaz sobre a inflação.
Crescimento do PIB e Câmbio
A projeção das instituições financeiras para o crescimento econômico brasileiro permanece em 2,21% neste ano. Para 2026, a expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça apenas 1,87%. Em relação aos anos seguintes, as previsões são semelhantes: crescimento de 1,87% para 2027 e uma leve alta para 2% em 2028.
De acordo com dados do IBGE, impulsionada pelo setor agropecuário no primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira apresentou um crescimento de 1,4%. No ano anterior (2024), o PIB teve um crescimento significativo de 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de expansão e sendo o maior avanço desde 2021 quando se registrou um crescimento de 4,8%.
A cotação do dólar é projetada para encerrar este ano em R$5,60 e estima-se que atinja R$5,70 até o final de 2026.
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