A projeção de inflação para 2025 ainda supera o teto da meta do CMN

Gabriela Thier Publicado em 04/08/2025, às 16h15
A recente atualização do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (4), indicou uma leve redução na expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a principal medida da inflação no Brasil. A previsão deste ano passou de 5,09% para 5,07%, marcando a décima diminuição consecutiva nas projeções.
Além disso, as estimativas para a inflação em 2026 também foram ajustadas, caindo de 4,44% para 4,43%. Para os anos subsequentes, as expectativas são de 4% em 2027 e 3,8% em 2028.
Vale ressaltar que a projeção para 2025 ainda se encontra acima do teto da meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com um intervalo de tolerância de até 1,5 ponto percentual. Isso significa que o limite inferior é de 1,5% e o superior de 4,5%.
No último mês de junho, apesar das pressões inflacionárias relacionadas à energia elétrica, o IPCA apresentou uma desaceleração, encerrando em 0,24%. Este resultado foi impulsionado pela primeira queda nos preços dos alimentos após nove meses consecutivos de alta. Contudo, o índice acumulado em doze meses ainda ficou em 5,35%, ultrapassando por seis meses seguidos o teto estabelecido da meta de 4,5%.
Esse cenário configura um descumprimento da meta no novo regime vigente desde 2024. Quando isso ocorre, o presidente do Banco Central deve enviar uma carta ao ministro da Fazenda detalhando as razões para a inflação acima do limite permitido e quais medidas serão tomadas para reverter essa situação dentro de um prazo específico.
Taxa Selic
Para controlar a inflação e alcançar as metas estabelecidas, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, conhecida como Selic. Atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), essa taxa teve seu ciclo de aumento interrompido na última reunião após sete elevações consecutivas devido ao recuo da inflação e à desaceleração econômica.
Em um comunicado oficial, o Copom destacou que a política monetária dos Estados Unidos trouxe incertezas adicionais sobre os preços. Assim, embora pretenda manter a taxa atual por enquanto, não descartou a possibilidade de novos aumentos na Selic se necessário.
Os analistas projetam que a Selic deve permanecer em 15% ao ano até o final de 2025. No entanto, há expectativas de redução para 12,5% ao ano em 2026 e posteriormente para 10,5% e 10% ao ano em 2027 e 2028, respectivamente.
O aumento da taxa Selic visa conter uma demanda aquecida; no entanto, taxas mais altas também podem impactar negativamente a expansão econômica ao encarecer o crédito e estimular a poupança. Por outro lado, uma redução na Selic tende a baratear o crédito e incentivar tanto a produção quanto o consumo.
PIB e Câmbio
A previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro permanece em 2,23% para este ano. Para 2026, a expectativa caiu levemente de 1,89% para 1,88%. As projeções para os anos seguintes apontam um crescimento de 1,95% em 2027 e de 2% em 2028.
No primeiro trimestre de 2025, o PIB brasileiro cresceu impulsionado pelo setor agropecuário, com um aumento de 1,4%, segundo dados do IBGE. Em contraste com os últimos quatro anos consecutivos de crescimento econômico — incluindo uma alta significativa de 3,4% em 2024 — esse resultado representa a maior expansão desde que o PIB alcançou um aumento de 4,8% em 2021.
A previsão atual para a cotação do dólar é de R$ 5,60 até o final deste ano. Para dezembro de 2026, estima-se que a moeda norte-americana atinja R$ 5,70.
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