Apesar da alta geral, os preços dos alimentos caíram, contribuindo para a moderação do índice inflacionário

Gabriela Thier Publicado em 12/08/2025, às 14h46
O impacto do aumento nas tarifas de energia elétrica influenciou a inflação oficial no Brasil, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrando uma alta de 0,26% em julho. Este valor representa um ligeiro aumento em comparação ao mês anterior, que fechou em 0,24%.
Apesar do aumento geral, os preços dos alimentos apresentaram uma queda pelo segundo mês consecutivo, contribuindo para a moderação do índice inflacionário. Em julho de 2022, a inflação havia alcançado 0,38%.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelou que o IPCA acumula uma variação de 5,23% nos últimos 12 meses, ultrapassando o centro da meta estipulada em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, podendo chegar até 4,5%. Desde setembro de 2024, o índice não ficava abaixo do teto da meta, que é de 4,42%. Em abril deste ano, o IPCA atingiu seu pico em 5,53%, mas a taxa de julho mostra uma leve redução em relação aos 5,35% registrados até junho.
A energia elétrica residencial apresentou um aumento significativo de 3,04% no último mês, sendo o principal responsável pela pressão sobre o IPCA com um impacto direto de 0,12 ponto percentual. Este incremento fez com que o grupo habitação subisse 0,91%, refletindo um impacto adicional de 0,14 p.p.
A alta nas tarifas deve-se principalmente à bandeira tarifária vermelha patamar 1, implementada pelo governo para financiar usinas termelétricas durante períodos de baixos níveis nos reservatórios das hidrelétricas. A cobrança adicional de R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos foi mantida desde junho e perdurou em julho.
Além disso, reajustes nas tarifas em grandes cidades como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro também contribuíram para a pressão sobre os índices nacionais. O gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, observou que sem a influência das contas de luz, o IPCA teria sido significativamente menor, fechando em apenas 0,15%.
Entre janeiro e julho deste ano, a energia elétrica acumulou um aumento expressivo de 10,18%, bem superior à inflação total no mesmo período que foi de apenas 3,26%. Esta variação é a maior para os meses iniciais do ano desde 2018 quando se registrou um aumento acumulado de 13,78%.
No que diz respeito aos alimentos e bebidas, houve uma queda geral de 0,27% em julho. Essa diminuição foi notável e representou um alívio inflacionário de 0,06 p.p. no IPCA. Este resultado foi o mais significativo desde agosto de 2024 quando os preços caíram -0,44%. Desde então, o grupo havia experimentado nove meses consecutivos de altas antes das quedas observadas em junho e julho.
A redução foi impulsionada pela alimentação dentro do domicílio (-0,69%), com itens como batata-inglesa (-20,27%), cebola (-13,26%) e arroz (-2,89%) contribuindo para essa tendência. Em junho já havia sido registrado um recuo nos preços dos alimentos na ordem de -0,18%. Gonçalves ressaltou que se os preços dos alimentos não tivessem diminuído na média nacional em julho, o IPCA teria chegado a uma taxa alarmante de 0,41%.
Dos nove grupos analisados pelo IBGE no cálculo do IPCA, três apresentaram deflação em julho: alimentos e bebidas; vestuário (-0,54%); e comunicação (-0,09%). Os demais grupos que tiveram aumentos incluem transporte e habitação.
No setor de transportes houve uma alta significativa nas passagens aéreas devido à demanda crescente durante as férias escolares — as tarifas subiram impressionantes 19,92%, tornando-se o segundo fator mais impactante na inflação após a conta de luz. Entretanto, os combustíveis apresentaram uma leve redução média de -0,64%, marcando o quarto mês consecutivo de queda; a gasolina caiu -0,51% em julho.
No segmento das despesas diversas dos consumidores brasileiros houve um impacto inflacionário considerável advindo dos jogos de azar devido ao reajuste nos preços das loterias que subiram cerca de 11,17%, representando o terceiro maior efeito individual sobre a inflação no mês.
O gerente do IPCA destacou ainda que os resultados deste índice não refletem ainda os impactos do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros exportados. Segundo Gonçalves: "seria precipitado atribuir efeitos diretos neste momento", dado que as novas alíquotas entraram em vigor apenas no início deste mês.
Ele apontou também que pode haver uma primeira consequência da guerra comercial resultante na diminuição dos preços internos devido ao aumento da oferta no mercado nacional. "É necessário observar como o mercado reagirá; caso os produtos permaneçam aqui dentro e não sejam escoados para outros mercados externos pode ocorrer uma tendência natural à baixa nos preços", concluiu.
O IPCA analisa o custo de vida para famílias cuja renda varia entre um e quarenta salários mínimos. Os dados são coletados em dez regiões metropolitanas incluindo Belém; Fortaleza; Recife; Salvador; Belo Horizonte; Vitória; Rio de Janeiro; São Paulo; Curitiba; Porto Alegre; além das capitais Brasília; Goiânia; Campo Grande; Rio Branco; São Luís e Aracaju.
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