Os dados indicam que o total de nascimentos é o mais baixo desde 1976, com 2,518 milhões registrados em 2023

Gabriela Thier Publicado em 16/05/2025, às 17h58
O Brasil enfrenta uma tendência crescente de diminuição no número de nascimentos, com 2023 marcando o quinto ano consecutivo de queda. Neste ano, o país registrou aproximadamente 2,52 milhões de nascidos, refletindo uma redução de 0,7% em comparação a 2022.
Este número representa uma diminuição significativa de 12% em relação à média de nascimentos registrada entre 2015 e 2019, que era de cerca de 2,87 milhões. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da pesquisa Estatísticas do Registro Civil, que compila informações obtidas nos cartórios de todo o território nacional.
Embora o total de registros tenha atingido 2,6 milhões em 2023, o IBGE esclarece que aproximadamente 2,9% desse total (cerca de 75 mil registros) referem-se a pessoas que nasceram em anos anteriores e somente foram registradas neste ano.
O IBGE também apresentou uma série histórica começando em 1974, na qual os números incluem apenas os nascimentos ocorridos e registrados dentro do ano, excluindo casos onde a residência da mãe é desconhecida ou localizada no exterior. Os dados para 2023 indicam que o total registrado (2,518 milhões) é o mais baixo desde 1976.
A gerente da Pesquisa de Registro Civil do IBGE, Klivia Brayner de Oliveira, destaca que, apesar da constatação do menor número na série histórica em quase cinco décadas, é fundamental considerar o contexto do sub-registro que era mais prevalente no passado. "Em diversas regiões, muitos nascimentos e óbitos não eram formalmente registrados", explica Klivia, ressaltando que atualmente os dados refletem com maior precisão a realidade demográfica.
A analista também aponta fatores sociais como as dificuldades financeiras para criar filhos e a ampla disponibilidade de métodos contraceptivos — inclusive entre populações de baixa renda — como influências significativas na decisão das mulheres em adiar a maternidade. "As mulheres estão priorizando suas carreiras e formação acadêmica antes de optar por ter filhos", observa.
Além disso, Klivia menciona que conforme as mulheres envelhecem, a probabilidade de terem mais filhos tende a diminuir. A pesquisadora Cintia Simões Agostinho complementa essa análise ao afirmar que a queda nas taxas de natalidade não é um fenômeno isolado do Brasil; trata-se de uma tendência observada em diversas nações ao redor do mundo, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.
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