Mercados desabam e dólar dispara após anúncio de medidas comerciais que acendem alerta de recessão mundial

Sabrina Oliveira Publicado em 07/04/2025, às 10h39
O dólar disparou nesta segunda-feira e alcançou a marca de R$ 5,93, refletindo o pânico dos investidores após o anúncio de um pacote de tarifas pelos Estados Unidos. A decisão do presidente Donald Trump impactou diretamente os mercados, que reagiram com queda acentuada nas bolsas e fuga de capitais.
Na última quarta-feira, Trump revelou um plano de tarifas recíprocas sobre produtos de mais de 180 países, com alíquotas variando entre 10% e 50%. O chamado “tarifaço” entrou em vigor no sábado e já provocou efeitos imediatos sobre os preços das moedas e ações ao redor do mundo.
A China, principal alvo da medida, respondeu com tarifas de 34% sobre produtos americanos. Além disso, anunciou restrições à exportação de terras raras, insumos essenciais na indústria tecnológica. A retaliação aumentou ainda mais a tensão nos mercados, que agora esperam ações da União Europeia.
O impacto foi visível. Na Ásia, a bolsa de Hong Kong caiu 13,22%. Na Europa, os principais índices tiveram perdas superiores a 4%. No Brasil, o Ibovespa recuou 1,36%, enquanto o dólar subiu 1,28%. As perdas vêm se acumulando desde sexta-feira.
As chamadas “sete magníficas” — gigantes da tecnologia como Apple, Google, Amazon e Tesla — perderam US$ 1,8 trilhão em dois dias. Só na quinta-feira, a queda foi de US$ 1 trilhão, o que expõe a fragilidade do mercado diante de incertezas políticas.
Economistas alertam para os efeitos inflacionários do tarifaço. Ao tornar importações mais caras, os países devem enfrentar aumento de preços, redução do consumo e possível desaceleração econômica. A soma desses fatores pode levar o mundo a um período recessivo.
“Com tarifas em todos os lados, tudo encarece até que o comércio pare”, afirma o analista Vitor Miziara.
O Brasil não ficou imune. A disparada do dólar encarece produtos importados, pressiona os custos das empresas e ameaça o controle da inflação. O momento exige cautela do governo e atenção redobrada dos investidores.
A decisão da China de limitar exportações de terras raras também preocupa. Esses elementos são fundamentais para a produção de chips, celulares e computadores. Entre os materiais afetados estão o disprósio, gadolínio e térbio, cuja escassez pode provocar paralisações em setores-chave da indústria.
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