Vice-presidente Geraldo Alckmin revela medidas para proteger exportadores afetados por tarifas dos EUA

Gabriela Thier Publicado em 20/08/2025, às 17h36
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, revelou durante um evento promovido pelo banco Santander que a iniciativa "Brasil Soberano", destinada a proteger os exportadores brasileiros, terá um efeito fiscal considerado "pequeno". Alckmin detalhou essa proposta que busca atenuar as consequências das novas tarifas de importação, especialmente aquelas impostas pelos Estados Unidos.
O governo federal apresentou uma Medida Provisória que prevê a disponibilização de R$30 bilhões em linhas de crédito para apoiar as empresas afetadas por tais tarifas. Além do suporte financeiro, o plano contempla outras duas frentes de assistência.
De acordo com Alckmin, a maior parte dos recursos alocados no projeto não corresponderá a novos gastos governamentais, mas sim à devolução de tributos que, por legislação vigente, não deveriam ser aplicados sobre produtos destinados à exportação. "Esse dinheiro pertence ao setor privado e deve ser restituído ao exportador. A exportação não deve ser tributada. A devolução deveria ocorrer em um prazo de dez anos, mas agora será imediata", afirmou o vice-presidente.
Embora essa justificativa tenha sido apresentada, especialistas em economia expressam preocupações quanto ao impacto fiscal, mesmo que considerado mínimo. Atualmente, cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro já está comprometido com a dívida pública. No entanto, o governo permanece otimista em relação à nova medida.
Além das ações internas, o governo brasileiro continua engajado em negociações com os Estados Unidos com o intuito de reverter ou suavizar as tarifas impostas. As metas incluem ampliar a lista de produtos brasileiros isentos de taxas e reduzir as alíquotas atuais que podem alcançar até 50%, sendo consideradas entre as mais elevadas do planeta.
No âmbito da diversificação comercial e da redução da dependência em relação a grandes parceiros internacionais, o Brasil firmou um novo acordo com a Indonésia para a exportação de carne bovina. Este entendimento foi confirmado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e inclui a comercialização de ossos, miúdos e outros derivados cárneos.
A Indonésia, sendo o quarto país mais populoso do mundo com quase 300 milhões de habitantes, é vista como um mercado estratégico para o agronegócio brasileiro. Em 2023, as trocas comerciais entre Brasil e Indonésia movimentaram aproximadamente 4 bilhões de dólares. O governo espera que essa nova parceria resulte em um aumento significativo desses números e contribua para compensar as perdas ocasionadas pelas novas barreiras comerciais.
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