Conversa de 40 minutos tratou da revisão das sobretaxas e de cooperação entre os países

Gabriela Nogueira Publicado em 02/12/2025, às 15h08
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta terça-feira, dia 2, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma ligação que o Palácio do Planalto descreveu como produtiva e estratégica para o momento atual das relações bilaterais. Ao longo de quarenta minutos, Lula cobrou avanços na retirada da sobretaxa de quarenta por cento que ainda pesa sobre uma parte significativa dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, além de tratar da ampliação da cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.
O diálogo ocorre em meio a um processo de revisão tarifária conduzido pelo governo norte-americano. Em novembro, a Casa Branca desbloqueou a importação de 238 produtos brasileiros sem a incidência das tarifas extras, incluindo café, chá, frutas tropicais, sucos, cacau e especiarias. Apesar disso, cerca de vinte e dois por cento das exportações nacionais para o mercado americano continuam sujeitas à sobretaxa. No início da imposição, esse percentual chegava a trinta e seis por cento.
Lula elogiou a retirada parcial das tarifas, mas deixou claro que o Brasil quer avançar mais rapidamente nas negociações. Segundo o governo brasileiro, ainda há setores relevantes — especialmente o industrial — aguardando revisão. O Planalto classificou o tom da conversa como construtivo, destacando que Trump demonstrou abertura para seguir discutindo o tema.
A sobretaxa aplicada aos produtos brasileiros faz parte de uma estratégia do governo americano para reagir à perda de competitividade em relação à China. A primeira leva de tarifas foi definida em abril com base no desempenho comercial individual de cada país. Como os Estados Unidos têm superávit no comércio com o Brasil, a cobrança inicial foi de dez por cento. Em agosto, no entanto, um adicional de quarenta por cento foi imposto como retaliação a divergências envolvendo o setor tecnológico.
Segundo o Planalto, a retomada do diálogo entre Lula e Trump na Malásia, em outubro, e reuniões posteriores entre assessores das duas administrações foram determinantes para a flexibilização parcial já anunciada. O governo brasileiro agora trabalha para ampliar o número de produtos excluídos da lista tarifada e tenta garantir que bens industriais recebam o mesmo alívio já concedido ao agronegócio.
Além do comércio, os dois presidentes trataram de temas considerados sensíveis, como tecnologias emergentes, energias renováveis, exploração de terras raras e as discussões sobre o regime tributário aplicado a serviços de data center.
Lula também reforçou a urgência de intensificar ações conjuntas para desarticular organizações criminosas que atuam de forma transnacional. Ele mencionou operações recentes conduzidas pelos órgãos de segurança brasileiros, que têm buscado cortar o fluxo financeiro de facções e rastrear suas conexões internacionais.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem defendido publicamente a necessidade de cooperação com os Estados Unidos para fechar brechas usadas por criminosos brasileiros, especialmente no estado de Delaware, que funciona como um refúgio fiscal para atividades de lavagem de dinheiro e evasão.
De acordo com o comunicado divulgado pelo governo brasileiro, Trump demonstrou “total disposição” para colaborar com o Brasil na área de segurança e se comprometeu a acompanhar pessoalmente o andamento das negociações tarifárias. Lula e Trump concordaram em manter c
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