Acordo temporário resolve impasse, mas debates fiscais e políticos seguem no Congresso

Gabriela Nogueira Publicado em 13/11/2025, às 17h53
A mais longa paralisação do governo dos Estados Unidos chegou ao fim na noite de quarta-feira (12). Após 43 dias de shutdown, o presidente Donald Trump sancionou o projeto de lei que garante recursos para manter o governo funcionando até 30 de janeiro. A assinatura ocorreu poucas horas depois de a Câmara dos Representantes aprovar o texto por uma margem estreita de 13 votos.
Embora o impasse político tenha sido resolvido, a volta à normalidade não será imediata. As agências federais já receberam autorização para chamar de volta os servidores que estavam sem remuneração durante o período de paralisação. A expectativa é de que a maioria retorne em até 24 horas, mas departamentos maiores e mais complexos podem levar mais tempo para reorganizar equipes e retomar processos internos.
O setor aéreo é um dos que ainda enfrentam dificuldades. Mesmo após o fim do shutdown, o Departamento de Transportes informou que 40 aeroportos seguirão operando com uma redução de 6% no número de voos. Segundo o secretário de Transportes, Sean Duffy, a prioridade ainda é garantir segurança. Ele afirmou que as autoridades avaliam diariamente as condições operacionais, mas não há previsão para o retorno total da malha aérea. A medida é reflexo da falta de controladores de tráfego aéreo durante a paralisação — situação que resultou em mais de 10 mil cancelamentos de voos desde 7 de janeiro, segundo o FlightAware.
Outro serviço afetado é o Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP), responsável por beneficiar milhões de famílias de baixa renda. O texto sancionado por Trump prevê a retomada do auxílio, mas não estabelece uma data exata para o restabelecimento dos pagamentos. O Departamento de Agricultura informou que os repasses devem ser feitos em até 24 horas na maior parte dos estados, embora não tenha especificado quais locais podem enfrentar atrasos adicionais.
O acordo que recoloca o governo em funcionamento inclui também a reintegração dos funcionários dispensados durante o shutdown e garante proteção contra novas demissões até janeiro. Além disso, os trabalhadores deverão receber todos os salários retroativos, conforme prevê a Lei de Tratamento Justo dos Funcionários Públicos, aprovada em 2019.
Apesar do avanço, algumas demandas ficaram de fora, entre elas a extensão do crédito tributário que reduz os custos de planos de saúde — uma prioridade dos democratas. O benefício expira em dezembro e terá de voltar ao debate no Congresso ainda este ano.
Mesmo com a reabertura, os impactos econômicos não serão totalmente revertidos. Estimativas do Escritório de Orçamento do Congresso apontam que o país deve registrar uma perda permanente de cerca de US$ 11 bilhões devido à interrupção prolongada das atividades governamentais.
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