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Cooperação Internacional

Haddad defende cooperação Brasil–EUA para barrar lavagem de dinheiro

Delaware aparece como destino de recursos enviados ilegalmente antes de retornarem ao país

Ministro da Fazenda destaca a importância da cooperação internacional para enfrentar crimes financeiros que movimentam bilhões - Imagem: Reprodução/Agência Brasil
Ministro da Fazenda destaca a importância da cooperação internacional para enfrentar crimes financeiros que movimentam bilhões - Imagem: Reprodução/Agência Brasil

Gabriela Nogueira Publicado em 27/11/2025, às 15h02


No mesmo dia em que a Receita Federal lançou uma operação nacional contra fraudes no setor de combustíveis, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil precisa intensificar o diálogo com os Estados Unidos para enfrentar crimes financeiros que movimentam bilhões de reais. A declaração foi feita nesta quinta-feira, na entrada do Ministério da Fazenda, após o governo identificar o uso do estado de Delaware como rota para evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Segundo o ministro, criminosos enviam recursos ao exterior sem declarar ao Fisco e fazem esses valores retornarem ao país com aparência de investimento estrangeiro, mascarando sua origem ilegal. Ele citou como exemplo uma operação que movimentou cerca de 1,2 bilhão de reais, enviados a fundos sediados em Delaware e posteriormente reinseridos no Brasil sob a forma de aplicações financeiras. Para Haddad, esse tipo de prática só poderá ser enfrentado com a cooperação das autoridades norte-americanas.

Haddad afirmou que já discute o tema com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que veem na articulação com os EUA um passo essencial para rastrear recursos no exterior e acelerar investigações. Ele explicou que os dados levantados pela Receita Federal serão compartilhados com a Polícia Federal, que deve atuar no bloqueio e recuperação de ativos e na mobilização da Interpol.

O ministro disse que uma representação já foi enviada ao Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, contendo trezentas páginas com detalhes das movimentações financeiras sob suspeita. O objetivo é dar celeridade aos processos e permitir que a Justiça avance no combate ao esquema.

As declarações ocorreram horas após a Receita deflagrar a Operação Poço de Lobato, realizada em cinco estados e destinada a desmontar um grupo especializado em sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. A ofensiva é uma sequência da Operação Carbono Oculto, que já havia levado ao fechamento de diversos postos em estados do Norte e Nordeste.

Nesta nova fase, a Receita identificou dezessete fundos ligados ao grupo investigado, com patrimônio estimado em oito bilhões de reais. Muitos desses fundos têm apenas um cotista, geralmente outro fundo, estratégia usada para criar camadas de ocultação e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

Haddad destacou que é essencial mirar as estruturas superiores das organizações criminosas, responsáveis por concentrar grandes cifras. Ele lembrou que, apenas no dia da operação, oito bilhões de reais foram bloqueados. Na ação anterior, o montante chegou a trinta bilhões de reais.

Também voltou a defender a aprovação do projeto sobre o devedor contumaz, já aprovado no Senado e atualmente parado na Câmara. A proposta cria regras mais duras para contribuintes que praticam sonegação de forma reiterada. Para o ministro, o texto estabelece distinção entre empresas que cumprem suas obrigações e aquelas que fazem da fraude um modelo de negócio. Haddad reforçou que mais de 99 por cento dos contribuintes atuam dentro da legalidade e seriam preservados pelas novas regras.

O ministro afirmou que, caso o projeto seja sancionado ainda este ano, o país entrará em 2026 com instrumentos mais eficazes para combater grandes esquemas de sonegação e lavagem de dinheiro. Para ele, a combinação de operações de fiscalização, novas leis e cooperação internacional é o caminho para enfrentar crimes que drenam bilhões dos cofres públicos.


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