Declarações de Donald Trump sobre tarifas comerciais e o aumento das taxas dos Treasuries impactam o desempenho do dólar

Gabriela Thier Publicado em 23/04/2025, às 19h11
O dólarencerrou o pregão desta quarta-feira (23) cotado a R$5,7190, apresentando uma redução de 0,16% em relação ao dia anterior. Este foi o quarto dia consecutivo de desvalorização da moeda americana, que acumula uma queda total de 1,46% nesta semana. O valor do dólar chegou a atingir R$5,65 durante a manhã, mas a tendência de baixa perdeu força ao longo da tarde.
A movimentação no mercado cambial foi influenciada por uma melhora no apetite global ao risco, desencadeada pelas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump. Na noite anterior, Trump desmentiu rumores sobre a demissão do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e sugeriu a possibilidade de redução nas tarifas sobre produtos chineses, sinalizando uma tentativa de aproximação nas negociações comerciais com a China.
No entanto, a valorização do real enfrentou desafios durante a tarde devido ao aumento das taxas dos Treasuries de dois anos e à nova alta do índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes. Além disso, uma queda superior a 2% nos preços do petróleo impactou negativamente as divisas de mercados emergentes.
Após as declarações de Trump sobre as tarifas excessivas aplicadas aos produtos chineses, surgiram informações não confirmadas que indicam que ele estaria considerando uma redução das tarifas de importação sobre a China, passando de 145% para um intervalo entre 50% e 65%.
Durante o início da tarde, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, negou que Trump tenha sugerido uma retirada unilateral das tarifas impostas à China. O próprio presidente reiterou sua intenção de estabelecer um "acordo comercial justo", enquanto apontou que tanto a China quanto a União Europeia estariam se beneficiando em demasia dos Estados Unidos. Em resposta, o Ministério do Comércio da China manifestou disposição para dialogar, mas enfatizou que não aceitará negociações sob pressão americana.
O real destacou-se como a moeda emergente com melhor performance na América Latina, um fenômeno que pode ser atribuído tanto a fatores técnicos no mercado cambial quanto ao nível elevado da taxa de juros brasileira. Esta realidade inibe a formação de posições compradas em dólar e favorece operações de carry trade em momentos de apetite maior ao risco.
Em um seminário promovido pelo JPMorgan em Washington, o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, comentou que a política monetária atual é “a mais contracionista dos últimos tempos”, citando o recente aumento de 300 pontos-base nas taxas. A declaração foi vista por analistas como um indício de que o ciclo atual de aperto monetário pode estar se aproximando do seu término.
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