Com 39 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o Brasil apresenta um crescimento de 0,9% no setor privado

Gabriela Thier Publicado em 31/07/2025, às 16h00
No segundo trimestre deste ano, o Brasil alcançou uma taxa de desemprego de 5,8%, o menor índice já registrado desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que remonta a 2012. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (31) como parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Além disso, o estudo revela um recorde no número de empregos formais e nos salários recebidos pelos trabalhadores.
Anteriormente, a menor taxa de desocupação havia sido registrada em novembro de 2024, com 6,1%. No início de 2025, esse índice era de 7%, enquanto que no mesmo período do ano passado atingiu 6,9%.
Durante os três meses que se encerraram em junho, o Brasil contava com 102,3 milhões de trabalhadores empregados e cerca de 6,3 milhões de pessoas em busca de oportunidades. O número de indivíduos à procura de trabalho caiu em 17,4%, representando uma redução de aproximadamente 1,3 milhão em relação ao primeiro trimestre. O aumento no número de ocupados foi significativo, com um crescimento de 1,8% entre os trimestres, equivalente a mais 1,8 milhão de trabalhadores.
A quantidade de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 39 milhões, marcando um crescimento de 0,9% em comparação ao primeiro trimestre deste ano e sendo este o maior número já registrado pelo IBGE. Paralelamente, o total de trabalhadores informais também apresentou alta (+2,6%), somando agora 13,5 milhões.
Esta edição da Pnad é a primeira a utilizar ponderações baseadas nos dados do Censo Demográfico realizado em 2022. Essa atualização é parte dos procedimentos padrão adotados por órgãos estatísticos ao redor do mundo para assegurar a representatividade dos dados coletados.
A pesquisa avalia o mercado de trabalho para pessoas a partir dos 14 anos e considera diversas formas de ocupação, incluindo empregos formais e informais, temporários e autônomos. Apenas aqueles que ativamente buscam emprego são classificados como desocupados. Para essa pesquisa foram visitados cerca de 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
A taxa de informalidade – que representa a proporção dos trabalhadores informais dentro da população ocupada – foi registrada em 37,8%, a menor desde o mesmo período em 2020 (36,6%). O IBGE considera como informais aqueles trabalhadores sem carteira assinada e também os autônomos ou empregadores sem CNPJ. Esses profissionais não têm acesso a benefícios como seguro-desemprego, férias ou décimo terceiro salário.
O grupo dos desalentados, que inclui pessoas que desistiram de procurar emprego por acreditarem que não encontrariam oportunidades disponíveis, fechou o segundo trimestre com 2,8 milhões de indivíduos, representando o menor número desde 2016.
Em termos salariais, o mercado aquecido é refletido nos ganhos dos trabalhadores. O rendimento médio mensal alcançou R$3.477, um valor recorde que representa um aumento de 1,1% em relação ao primeiro trimestre e um crescimento de 3,3% comparado ao mesmo período do ano anterior.
Com um número crescente de pessoas empregadas e os salários elevados, a massa salarial total – que corresponde à soma dos rendimentos pagos aos trabalhadores – também atingiu seu ponto máximo histórico com R$351,2 bilhões. Este montante movimenta a economia nacional por meio do consumo ou da poupança e supera em 5,9% (ou R$19,7 bilhões) o valor observado no mesmo trimestre do ano passado.
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