
Fernanda Trigueiro Publicado em 12/08/2022, às 07h51
Dizem que quando nasce um filho, nasce um pai. Diferente da mulher que se torna mãelogo com a notícia de que espera um bebê, o homem geralmente precisa ver para crer. Precisa tocar para sentir... e assim uma missão surge cheia de afeto e responsabilidade.
Com o filho, o pai vê que não sabe de nada e que o mundovai muito além da rotina entre trabalho e futebol. E o homem sempre tão durão se encanta com cada descoberta do filho. Se derrete com um sorrisinho do recém-nascido e mais ainda com o primeiro "papai" ouvido. Cada fase de um, é uma nova fase para o outro. O filho aprende com o pai, e o pai reaprende e se ressignifica com o filho.
Os anos se passam e a relação vai mudando. Durante a infância, o papai é o herói. Aquele capaz de pegar qualquer coisa lá em cima. Que é forte pra abrir qualquer recipiente. Que levanta qualquer móvel ou caixa. Que puxa o filho com um braço e impede tombos e arranhões. O paizão está sempre atento e também sabe de tudo. Não tem uma tarefa da escola que seja difícil pra ele e nenhuma pergunta que ele não saiba responder.
Até que o filho vai ficando mais velho. E o pai não parece mais aquele gigante que era e em algumas situações, o herói acaba vilão. Adolescentes se acham o dono da razão e do mundo. E o pai precisa agir com pulso firme. Dá bronca, coloca regras e limites. Por pior que seja o castigo, o filho (lá no fundo) sabe que ser repreendido faz parte, porque como dizem por ai "quem ama, cuida".
E de repente, tudo muda novamente. As brigas viram conselhos, as brincadeiras, papos sérios e quando a gente se dá conta, o pai se torna amigo. E que sorte a do filho que tem no pai, o melhor amigo. Uma fase de troca, de cumplicidade e de apoio. Uma relação entre duas pessoas comuns. E assim a ficha vai caindo e os filhos percebem que o Super Homem, na verdade, não tem nenhum super poder. O cara forte e corajoso também falha, também se engana, se arrepende, tem medos e angústias. A capa do herói cai de vez e nas costas dele vêm o peso da idade.
Os sinais de cansaço ficam mais aparentes e o homem que sabia de tudo fica um pouco esquecido. Os exames apontam uma alteração aqui e outra ali. Além da cerveja, em casa, aparecem estoques de remédios. Um controla o excesso de açúcar consumido a vida toda, o outro segura a pressão que já subiu e desceu tantas vezes nessa caminhada. E o coração? Esse já não aguenta mais tantas emoções...
Chega a hora de quem tanto cuidou, ser cuidado. Um dia o pai-herói-vilão-amigo vai virar saudades. É inevitável. Nenhum pai eterno, mas o amor, sim. É o único capaz de resistir a alegria e a tristeza. A saúde e a doença e também ao tempo. Tempo que passa e a gente não percebe.... Por isso, não deixe mais pra depois. Não espere uma data especial. Sinta agora. Abrace forte. Diga o que tem que ser dito e agradeça por tê-lo na sua vida. Não importa quem ele seja, os erros e acertos que cometeu. Ele é o seu pai hoje, domingo e assim será para sempre!

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