Por Renato Nalesso*

Redação Publicado em 09/05/2022, às 00h00 - Atualizado às 08h59
Por Renato Nalesso*

Lembro que na adolescência vi um jogo da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa de 94 contra a Bolívia. O time do técnico Carlos Alberto Parreira era recheado de grandes craques como Taffarel, Cafu e Bebeto. Inclusive a base do elenco que seria tetracampeão Mundial na temporada seguinte. O jogo em La Paz marcou a primeira derrota do Brasil na história da competição: 2 x 0. Muita gente justificou o resultado na altitude de mais de 3600 metros acima do nível do mar. De qualquer forma foi quando ficou marcado na minha cabeça a história da ZEBRA no futebol. A partir dali também ouvi muito comentarista dizendo o clichê: ‘Não existe mais bobo no futebol!’.
Mas a verdade é que o futebol evoluiu muito, tanto tecnicamente quanto taticamente. Hoje é muito mais comum ver equipes mais fracas do ponto de vista de qualidade vencendo um opositor mais forte. É só analisar o jogo que abriu a quinta rodada do Brasileirão. Alguém em sã consciência imaginava que o América/MG poderia surpreender o poderoso Atlético do Hulk? Ainda mais imaginando que existia um tabu entre ambos de 21 jogos em quase 6 anos sem vitórias americanas? Vale lembrar também que o Galo não perdia em BH de NINGUÉM há quase um ano. Pois é, perdeu… 2 a 1 para o Coelho. Zebra? Se analisar o jogo a zebra vira apenas uma questão de semântica.
Que me perdoe o Pasquale e todos os professores de português. Sei que semântica tem por objeto de estudo o significado das palavras e talvez nem se encaixe nesse contexto. Mas a cada dia que passa vejo que a zebra do futebol está perdendo espaço para organização e dedicação. Todo time tem seu espaço. Basta querer e se empenhar pra isso.

Diferença de padrão justifica convocação?
Na última semana o Real Madrid conseguiu uma classificação heroica para a final da Liga dos Campeões ao bater o Manchester City do Guardiola de virada. A grande estrela do jogo foi o brasileiro Rodrygo. Ele fez os dois primeiros gols e deu a sobrevida que os espanhóis precisavam para matar o duelo na prorrogação. Mas a pergunta que fica é: o ex-santista merece mais oportunidades na Seleção do Tite? Vez ou outra ele até é lembrado, mas joga muito pouco. No próprio Real ele é mais banco do que titular. Mas será que a grande diferença de padrão técnico do futebol da Europa para o Brasil o colocaria na frente de caras como Dudu e Hulk? Para mim jamais, mas vai entender a cabeça do treinador, não é verdade?

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