Por Fernando Maskobi

Redação Publicado em 04/11/2021, às 00h00 - Atualizado às 07h16
Por Fernando Maskobi
Sejamos bastante realistas: É de se esperar que o Brasil esteja numa lama econômica. Com tanta informação hoje em dia, não dá para ficar mais surpreso com esse assunto. Antes de compartilhar minha visão, vale deixar claro que sim, ter um presidente da república despreparado acelera (e muito) nosso fracasso. Porém, ressalto que as condições nas quais operamos são fadadas ao insucesso e elas são suprapartidárias.
Primeiramente, vivemos num sistema onde o azeite vem da Europa, o carro do México, os móveis da China e por aí vai. Qualquer trava na cadeia de suprimentos gera inflação e o caos se espalha. A solução: favorecer a localização. A localização na globalização é um dos próximos modelos econômicos. Esse modelo fortalece comunidades locais e deixa a economia menos vulnerável a crises globais.
A economia desacelera 4% e os bancos crescem em torno de 100% (*). Muitos perderam o pouco que tinham e poucos ganharam muito. Nosso sistema é feito para concentrar riqueza. Nossa ganância virou lei e assim vivemos hoje. O pior? É uma riqueza improdutiva e rasa, sem valor. A solução: entender que desigualdade social não é boa para ninguém. O pobre morre de fome e o rico perde o sono para se manter no poder e vive na sua bolha cheia de grades. Esse estilo de vida não serve mais. É necessário colocar em prática boas políticas públicas de redistribuição de riqueza.
Por último, temos pouca criação e muito consumo. Vivemos consumindo e copiando. Quais foram as últimas inovações e invenções brasileiras? Sem a mentalidade de inovação e criação dentro de casa, viveremos alienados e dependentes de mercados desenvolvidos. A solução: olhar para dentro do país, conhecer as nossas terras incentivando pesquisas locais e desenvolver e investir em comunidades locais.
Poucas são as áreas que fazemos bem dentro do país. Somos especialistas em concentrar riqueza e em gerir milhares de hectares de terras improdutivas. Naturalizamos a miséria e a fome. Galgamos carros blindados e prédios com portões triplos. Somos especialistas em conhecer o mundo antes de visitar a Amazônia. Nossa elite é especialista em consumir e não em criar. Assim operamos numa fórmula mágica que gera dependência de outras economias e extrema desigualdade social.
Todas essas condições se retroalimentam e a bola de neve só aumenta. Mais do que uma transformação econômica, nosso país pede mesmo é uma revolução de valores.
(*) Dados do PIB e da lucratividade dos Bancos referente ao ano de 2020

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