Por Ariê Carneiro*

Redação Publicado em 10/11/2021, às 00h00 - Atualizado às 09h59
Por Ariê Carneiro*
Você já parou para pensar que, na maioria dos lares do Brasil, no início da adolescência, é natural os pais levarem suas filhas ao ginecologista, para iniciarem os cuidados preventivos e também para receberem orientações sobre o início da atividade sexual? E os meninos? Quando eles iniciam esses cuidados?
Diferente das meninas, a maioria dos meninos só procura médicos ou orientações em caso de necessidade e para tratar doenças já adquiridas.
Essa questão trata-se de um hábito cultural na nossa sociedade, em que as mulheres possuem a cultura de um cuidado preventivo com a saúde e um hábito de ir ao médico de forma rotineira, seja anualmente ou semestralmente.
Já os homens acabam buscando o sistema de saúde apenas quando possuem alguma doença ou sintoma e, muitas vezes, até na presença de sintomas demoram para buscar auxílio.
Segundo dados do IBGE, a expectativa de vida das mulheres no Brasil, em 2019, era de 80 anos e dos homens de 73 anos, quase 10% a menos.
Algumas explicações científicas já foram descritas para explicar essa tamanha diferença como: fatores genéticos relacionados ao cromossomo “Y” (presente exclusivamente nos homens), fatores hormonais e tipo de ocupação/trabalho. No entanto, sabemos que fatores comportamentais e também essa “negligência” ao cuidado com a saúde masculina pesam de forma significativa neste fato.
A campanha “novembro azul” surgiu inicialmente para tentar “quebrar” tabus e mitos sobre o câncer de próstata, para conscientizar os homens da importância do exame periódico da próstata. Pois o câncer de próstata é o tumor sólido mais frequente na população masculina (perdendo apenas para câncer de pele não melanoma) e que, quando diagnosticado precocemente, possui altíssima taxa de cura com tratamento adequado.
Com o passar dos anos essa campanha começou a ganhar cada vez mais força, e a ida do homem ao médico para “cuidar da próstata” passou a ganhar um sentido mais amplo e tornou-se uma “porta de entrada” da população masculina ao sistema de saúde, a onde o paciente não apenas avalia a próstata, mas passa por uma avaliação clínica global, incluindo investigação de diabetes, hipertensão arterial entre outras doenças que possam ser controladas ou evitadas para aumentar a longevidade e a qualidade de vida.
No entanto, as campanhas voltadas à saúde masculina ainda são muito restritas e há uma necessidade urgente da mudança cultural em todas as faixas etárias.
Nos próximos artigos deste mês, que é voltado para a saúde masculina, além do câncer de próstata iremos também abordar doenças frequentes relacionadas a essa população, na infância, adolescência e na fase adulta.
E ,para concluir, deixo aqui uma pergunta: Você tem o hábito de procurar uma medicina preventiva ou apenas quando há uma necessidade específica? Os meninos da sua família já passaram por alguma avaliação preventiva? E os adultos e idosos da sua família fazem avaliação preventiva anualmente?
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