Por Kleber Carrilho

Redação Publicado em 12/02/2022, às 00h00 - Atualizado às 06h49
Por Kleber Carrilho
E depois de Bolsonaro? Qual será o nome do bolsonarismo?
É provável que o presidente Jair Bolsonaro perca a eleição em outubro. Provável, mas não certo. Se ele for reeleito, o bolsonarismo vai continuar tendo o mesmo nome, durante pelo menos quatro anos. Porém, se ele perder, como as pesquisas dizem, o que acontecerá com 25% do eleitorado que o apoia?
Afinal, o modo de pensar que hoje tem o nome de bolsonarismo existe há muito tempo. E vai continuar existindo muito depois do mandato do presidente. Porém, assim como existiu antes sem ter esse nome, ele vai continuar participando do processo político, elegendo deputados, senadores, vereadores, alguns prefeitos e talvez até governadores. E então vai chegar o momento de colocar outro personagem na Presidência da República.
Porque, se Jair Bolsonaro e o termo bolsonarismo são descartáveis, a maneira de pensar na solução violenta, na proteção em grupos e no ataque desleal aos adversários vai continuar fazendo parte do nosso dia a dia, na fala do tio, do pai, do filho, do avô e dos influencers nas redes sociais.
E, então, sem o nome de um novo líder, pode ser que o movimento volte a passar quase imperceptivelmente por aí, em diversos grupos políticos, com presença em horário nobre, em programas de debate, de humor e de religião.
O perigo é que ele seja novamente ignorado, tratado com graça, aproveitado para aumentar a audiência e o engajamento de programas de TV, canais do YouTube e perfis no Instagram.
Mas a percepção que eu tenho é que, depois do possível fiasco de Bolsonaro, a organização vai ser melhor, mais atenta aos porta-vozes, mais cuidadosa com a forma. Talvez o novo bolsonarismo apareça menos rude, mais esclarecido, mais jovem, mais bonito.
E então, de novo, serão apresentadas as credenciais para “resolver tudo o que está errado”, para ser “a nova política” e mesmo a “antipolítica”.
Portanto, se os democratas não entenderem que é necessário investir em educação para a cidadania, estender os contatos reais com as pessoas em todos os ambientes, dificilmente a nossa democracia, tão cheia de falhas, vai parecer mais interessante do que o neobolsonarismo, apresentado com o nome do novo herói, mito e porta-voz.
Mas há uma saída. E ela passa por apresentar a democracia verdadeiramente para o maior número de pessoas. Teremos competência para fazer isso antes da próxima onda?

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