Investigação indica movimentação superior a R$ 6 milhões e uso de cargo na Alesp para dar aparência de legalidade a operações de grupo ligado ao tráfico internacional

Redação Publicado em 03/06/2026, às 11h07
A Polícia Federal investiga um ex-assessor do deputado Bruno Zambelli por suposta participação em um esquema de ocultação patrimonial relacionado ao tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro, após sua prisão na Operação Rota Andina.
A investigação começou após a apreensão de uma aeronave com 470 quilos de cocaína, e análises financeiras revelaram que o ex-assessor movimentou mais de R$ 6,1 milhões, valor incompatível com sua renda declarada.
A PF continua as investigações, com foco em novas análises de bens e transações para mapear a rede financeira envolvida, enquanto a defesa do ex-assessor nega as acusações e afirma confiar nas autoridades para esclarecimentos.
A Polícia Federal (Polícia Federal) investiga um esquema que envolve um ex-assessor do deputado estadual Bruno Zambelli, irmão da ex-deputada federal Carla Zambelli, por suposta participação em uma estrutura de ocultação patrimonial ligada ao tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro.
Segundo os investigadores, o ex-assessor Patric Mazzei Mazza teria integrado um núcleo operacional responsável por dar suporte financeiro e logístico a uma organização criminosa. Ele trabalhou no gabinete de Bruno Zambelli entre dezembro de 2024 e julho de 2025 e foi preso na segunda fase da Operação Rota Andina.
A investigação teve origem após a apreensão de uma aeronave que transportava 470 quilos de cocaína em Santa Rita do Araguaia (GO), em abril do ano passado. A PF afirma que, a partir da análise de dados de GPS, registros de voo e movimentações financeiras, foi possível rastrear a atuação de diferentes agentes envolvidos na estrutura criminosa.
Relatórios do Coaf apontam que o investigado movimentou mais de R$ 6,1 milhões entre abril de 2024 e abril de 2025, valor considerado incompatível com sua renda declarada. Parte dessas transações teria ocorrido enquanto ele exercia cargo com salário mensal de cerca de R$ 10 mil.
De acordo com a PF, o ex-assessor teria utilizado a posição institucional para conferir aparência de legalidade a operações financeiras, atuando como intermediador na circulação de valores e possível elo entre empresas e pessoas investigadas.
Os investigadores também apontam que ele e outro suspeito teriam atuado como controladores ocultos de uma empresa do agronegócio que participou da compra da aeronave apreendida, avaliada em R$ 1,4 milhão. Parte do financiamento do avião teria origem em operações associadas ao grupo investigado.
Além disso, a PF destaca que o patrimônio identificado em nome do ex-assessor não seria compatível com o volume financeiro movimentado, reforçando a suspeita de atuação em estrutura de lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
Em nota, a defesa política afirma que, durante o período em que o assessor atuou no gabinete, ele apresentou “conduta profissional exemplar” e nega conhecimento dos fatos investigados, afirmando confiar no esclarecimento das autoridades.
As investigações seguem em andamento e novas análises de bens e transações devem aprofundar o mapeamento da rede financeira ligada ao caso.
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