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Milei diz que Lula é “esquerdinha” de “ego inflado” e recusa pedir desculpas ao petista

Javier Milei. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews
Javier Milei. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews
Agenor Duque

por Agenor Duque

Publicado em 30/06/2024, às 06h00


O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, reafirmou sua posição ao recusar categoricamente o pedido de desculpas ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma recente declaração, Milei afirmou que Lula possui um “ego inflado de esquerdinha” e que não pretende se retratar por suas palavras anteriores, onde chamou o líder brasileiro de “corrupto”.

A rusga entre Milei e Lula não é de hoje, data da época de campanha eleitoral quando o Partido dos Trabalhadores (PT) manifestou apoio ao oponente do atual presidente da Argentina, Sergio Massa. E a polêmica esquentou entre os dois líderes quando Lula afirmou publicamente que não havia conversado com Milei por acreditar que o argentino lhe deveria um pedido de desculpas pelas acusações de corrupção. Lula, que já foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em um caso controverso, mas posteriormente teve suas condenações anuladas, manteve-se firme em sua posição, esperando um pedido de desculpas de Milei.

A verdade não ofende. Minha posição é clara e baseada em fatos conhecidos. Não vou pedir desculpas a alguém que personifica a corrupção e que, durante seu governo, levou o Brasil a um estado lamentável”, disse Milei em entrevista à emissora LN+, do jornal La Nacion. O economista libertário, conhecido por suas visões radicais e sua aversão ao socialismo e ao progressismo, não poupou críticas ao governo de Lula e suas políticas.

Lula, por sua vez, rebateu, dizendo que “não tem tempo a perder com quem se recusa a reconhecer a verdade e a praticar a diplomacia necessária entre nações vizinhas”. Para o líder petista, a postura de Milei apenas reforça sua crença de que o presidente argentino está “mal preparado para lidar com as complexidades das relações internacionais”.

A chanceler argentina, Diana Mondino, esteve no Brasil em novembro do ano passado, portando uma carta-convite de Milei a Lula entregue por ocasião de sua passagem por Brasília. Na correspondência, o candidato de direita e vencedor do pleito eleitoral argentino convidava o presidente brasileiro para a cerimônia de sua posse, como líder máximo da Argentina. Lula não compareceu, e sua ausência ficou mais evidente devido à presença do ex-presidente, Jair Bolsonaro, que fez questão de marcar presença na posse, comparecendo acompanhado da esposa, Michelle Bolsonaro, cuja elegância repercutiu mundialmente.

Posteriormente, em abril de 2024, agora empossada como chefe da diplomacia argentina, Mondino retornou ao Brasil com uma nova carta endereçada ao atual presidente brasileiro, cujo conteúdo defendia que uma boa relação bilateral entre os dois países deveria ser mantida. Apesar disso, não houve um encontro entre os dois líderes.

Este embate entre Milei e Lula evidencia as profundas divisões ideológicas na América Latina. Enquanto Milei representa uma nova onda de líderes conservadores e de direita, comprometidos em combater o legado de governos de esquerda na região, Lula continua sendo uma figura representativa da esquerda latino-americana, apesar dos escândalos e controvérsias que o cercam.

A recusa de Milei em pedir desculpas e suas declarações contundentes indicam que as relações entre Argentina e Brasil podem enfrentar tempos difíceis, especialmente com líderes tão ideologicamente opostos no comando de seus respectivos países. A expectativa agora é observar como essa dinâmica influenciará a cooperação e os projetos conjuntos na região.

Neste sentido, na mesma entrevista à LN+, em relação à desavença com o petista, Milei afirmou que: “É preciso colocar-se acima dessas bobagens porque os interesses dos argentinos e dos brasileiros são mais importantes do que o ego inflado de algum esquerdinha”.

Se os dois líderes chegarão a conversar, resta-nos aguardar. O que se sabe é que ainda este ano acontecerão dois eventos internacionais em que os dois presidentes podem encontrar-se: a reunião dos líderes do Mercosul, que acontecerá no mês de julho, no Paraguai; e o G20, que acontecerá no Brasil, no Estado do Rio de Janeiro, no mês de novembro.

Enquanto isso, Milei segue firme trabalhando para cumprir sua promessa de reformar a Argentina, colocando fim ao que ele chama de “décadas de políticas desastrosas de esquerda” e enfrentando qualquer resistência, inclusive de líderes como Lula.

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