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Marcus Vinicius de Freitas

Marcus Vinicius de Freitas: China e Afeganistão

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Marcus Vinicius de Freitas: China e Afeganistão

China e Afeganistão

Marcus Vinícius De Freitas

Depois da ascensão rápida dos talibãs ao governo do Afeganistão após vinte anos da presença norte-americana – e de seus aliados – no país, uma das questões que mais se tem levantado é quanto ao papel que a China desempenhará no novo cenário. Alguns descrentes na solidez do processo de ascensão chinesa vaticinam que a China eventualmente repetirá os erros britânicos e norte-americanos e será mais um que país cairá naquele cemitério de impérios.

Nada poderia ser mais equivocado na leitura dos objetivos chineses. A China compartilha uma fronteira de 76 quilômetros com o Afeganistão, que é uma importante via de acesso aos mercados europeus e parte da Nova Rota da Seda. O país foi incluído no Corredor Econômico China-Paquistão (CECP), inaugurado em 2015, um projeto substancial de energia e infraestrutura. O CECP é uma artéria fundamental da Nova Rota da Seda para uma integração maior no eixo central asiático. Para tanto, os chineses têm construído ligações ferroviárias e rodoviárias. Além disso, a China tem envidado esforços para desconstruir eventuais rusgas existentes no relacionamento entre o Paquistão e o Afeganistão para que os projetos sigam adiante sem turbulências. Este é um aspecto importante, porque o Paquistão oferece ao Afeganistão um acesso mais rápido ao mar. O Afeganistão deverá constituir um importante “hub” de acesso aos países da Ásia Central.  Com a melhoria no relacionamento bilateral entre o Afeganistão e o Paquistão, os chineses buscam garantir maior celeridade ao CECP para expandir as possibilidades de comércio na Ásia Central.

A China, já há algum tempo, é o maior investidor estrangeiro no Afeganistão, com interesse particular em recursos naturais e na construção de infraestrutura. Os investimentos chineses têm ocorrido na extração de petróleo, na região norte do Afeganistão, nas telecomunicações, e na construção de conexões de fibra-óticas. Tais investimentos, no entanto, não conseguiram ampliar-se em razão da situação política e da segurança instável. A estabilidade prometida – e jamais alcançada – pelos Estados Unidos e países da OTAN não proveu ao Afeganistão a um desenvolvimento econômico substancial. E um dos maiores problemas enfrentados pelo país ainda é sua reduzida capacidade exportadora.

Há, no entanto, vários projetos chineses no país que, a partir de agora, deverão consolidar-se com a maior estabilidade. Os chineses tem um grande projeto petrolífero em Faryab e Sar-i-pul, por parte da Petrochina que, em 2011, venceu uma licitação de US$ 400 milhões, num contrato de 25 anos, mas que permanece parado. A geração de energia é de particular interesse à China, uma vez que o Afeganistão enfrenta sérios problemas de fornecimento. Os chineses pretendem investir pesadamente em projetos de energia a carvão no país. Embora já tenha feito investimentos substanciais, a China tem adotado um compasso de espera até o momento. Um dos projetos mais importantes é a mina de cobre Aynak, a segunda maior do mundo. Espera-se que agora com o Talibã seja possível retomar alguns projetos de maior envergadura, que são essenciais ao desenvolvimento do país. Esta melhoria econômica poderá ter reflexos mais positivos sobre o próprio Talibã.

O maior temor de Beijing é que o Afeganistão sirva de plataforma para separatistas uigures em Xinjiang, sempre um alvo de críticas por parte da comunidade internacional. Os chineses entendem que a estabilidade regional afetará positivamente a continuidade de suas iniciativas e os investimentos relativos à Nova Rota da Seda. Com isto, pretende-se conter o ímpeto de organizações terroristas, como o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, um grupo radical uigur, ativo na região de Xinjiang, que busca, por meio do terrorismo, a independência desta região chinesa. Com o desenvolvimento econômico, muitos dos elementos que fomentam a instabilidade política no país poderão esvanecer. Importa à China um Afeganistão estável para com isso lograr alcançar os mercados consumidores europeus com maior facilidade e sem turbulências relacionadas a ações anti-governo, terrorismo ou de sinofobia.

O objetivo último das negociações entre o Partido Comunista da China e o Talibã têm tido, portanto, um duplo objetivo: assegurar a prosperidade econômica do Afeganistão por meio de investimentos massivos em infraestrutura para consolidação e proteção da Nova Rota da Seda, com a garantia de estabilidade no país, e também garantir que o Afeganistão não permita o crescimento e ascensão de grupos terroristas contrários aos interesses de Beijing. É altamente improvável que a China venha a ter uma presença militar naquele país diante do histórico dos Estados Unidos e Reino Unido.

O pragmatismo chinês, a rápida compreensão dos desafios do Afeganistão e o compromisso com o não intervencionismo deverão ser os princípios norteadores do relacionamento bilateral. Se der certo, talvez o Talibã 2021 venha a ser muito diferente do Talibã 2001. Ainda há esperança.

 

Marcus Vinícius De Freitas, Advogado e Professor Visitante, Universidade de Relações Exteriores da China

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