Condenado a 24 anos de prisão, ex-chefe da Justiça foi localizado pela Polícia Federal horas depois de não ser encontrado em casa; militares de alta patente também foram detidos
Gabriela Nogueira Publicado em 25/11/2025, às 16h51
A Polícia Federal prendeu na tarde desta terça-feira (25) Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, condenado a 24 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A captura ocorreu poucas horas depois de agentes terem ido à residência dele, no Jardim Botânico, área de alto padrão em Brasília, sem localizá-lo. A corporação confirmou o cumprimento do mandado, mas manteve em sigilo o local onde a prisão foi formalizada.
Torres, que já integrou os quadros da própria PF como delegado, deve cumprir a pena inicial no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. A unidade é destinada a abrigar presos com prerrogativas específicas, como autoridades e integrantes das forças de segurança.
A prisão ocorre no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal declarou o trânsito em julgado do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros integrantes do chamado núcleo 1 da articulação golpista. Entre os réus desse grupo estão, além de Torres, o deputado federal e ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem e os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira. Ambos os generais também foram alvo de mandados e já têm celas preparadas pelo Exército no Comando Militar do Planalto. Outro detido é o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha.
Na véspera, a defesa de Torres havia protocolado um pedido ao Supremo para que ele pudesse cumprir a pena na Superintendência da Polícia Federal ou no Batalhão de Aviação Operacional da PM do DF. Os advogados argumentaram que o ex-ministro enfrenta um quadro de depressão desde sua prisão em janeiro de 2023 e faz uso contínuo de venlafaxina e olanzapina, medicamentos prescritos para depressão e transtornos psicóticos. Segundo a petição, a condição de saúde de Torres impediria sua permanência em um presídio comum, sob risco à integridade física e emocional.
A detenção desta terça marca mais um capítulo do desfecho judicial da tentativa de golpe, que vem alcançando figuras de destaque do antigo governo e das Forças Armadas. As investigações continuam e novas medidas judiciais não estão descartadas pelos órgãos responsáveis.