Ação da PF prendeu o presidente do banco, recolheu bens de alto valor e levou o BC decretar a liquidação do conglomerado

Lívia Gennari Publicado em 18/11/2025, às 14h09
A investigação da Polícia Federal indica que o Banco Master movimentou R$ 12,2 bilhões em ativos considerados irregulares, quantia que levou à prisão do presidente da instituição, Daniel Vorcaro, nesta terça-feira (18). A operação mira um esquema de emissão de títulos de crédito falsos que teria sido conduzido pela cúpula do conglomerado.
A apuração aponta que os títulos não tinham lastro real, mas eram apresentados pelo banco como se fossem ativos legítimos. Segundo a Polícia Federal, os materiais falsos eram vendidos a outra instituição financeira e, quando o Banco Centralpercebia a irregularidade, eram trocados por novos títulos também sem avaliação técnica adequada, um movimento que, de acordo com os investigadores, ajudava a mascarar a real situação financeira do grupo.
Batizada de Compliance Zero, a operação da PF resultou na prsião de outras cinco pessoas ligadas ao esquema e apreendeu bens considerados de alto valor, como carros de luxo, relógios, obras de arte e R$ 1,6 milhão em espécie. Todos os suspeitos devem responder por crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária, falsificação de documentos e organização criminosa.
Com o avanço da operação, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master e de outras empresas do grupo, como o Master de Investimento, o Letsbank e a Master Corretora. Para o Banco Master Múltiplo, porém, o BC adotou um Regime Especial de Administração Temporária (RAET), a fim de manter o funcionamento da Will Financeira, empresa controlada pelo conglomerado.
Segundo o BC, a decisão se baseia não apenas no impacto da investigação, mas também em sinais de “grave crise de liquidez” e “comprometimento significativo da situação econômico-financeira” do grupo, que detém pouco mais de 0,5% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional. Com a intervenção, ficam indisponíveis os bens de controladores e ex-administradores.
Investigação
As investigações tiveram início em 2024, após um pedido do Ministério Público Federal que levantou suspeitas de que o banco estaria fabricando carteiras de crédito insubsistentes. Desde então, a PF reuniu documentos, rastreou transações e mapeou a circulação dos títulos supostamente adulterados. A corporação afirma que as análises técnicas reforçam a existência de um mecanismo estruturado para ocultar a origem e a qualidade dos ativos apresentados pelo conglomerado.
Nos últimos anos, o Banco Master havia passado por um processo de expansão acelerada, com a ocupação de andares na Faria Lima e planos para centralizar todas as áreas em uma nova sede. Para os investigadores, o crescimento contrastava com a fragilidade interna que a operação agora expõe.
O Banco Central informou que seguirá apurando responsabilidades e que pode aplicar novas medidas administrativas à medida que avançarem os desdobramentos. A PF, por sua vez, continuará analisando documentos e contratos apreendidos para identificar a extensão da fraude e a participação de outros envolvidos no esquema.
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