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O temor nuclear

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De todas as questões que permeiam a Guerra da Ucrânia, sem dúvida, o medo nuclear tem o maior destaque em razão das enormes consequências que teria não somente na Ucrânia, porém no continente europeu e no cenário global. A devastação criada, além do impacto radioativo – que pode ser restrito a uma área menor, conforme o equipamento militar utilizado – gera temores enormes em todo o mundo. Afinal, quando o mundo se deu conta, em agosto de 1945, do efeito letal do lançamento de bombas em Hiroshima e Nagasaki, o pesadelo nuclear passou a dominar o consciente coletivo. Numa questão de poucos dias, Hiroshima e Nagasaki viram quase duzentas e cinquenta mil pessoas morrerem, milhares ficarem feridas, com edificações públicas e escolas destruídas, e milhares de pessoas destituídas de suas casas e famílias.

A paz mundial, concebida pelos europeus, era baseada num balanço de poder entre os países. Invariavelmente, quando se notava o crescimento militar de um país, os outros se uniam para estabelecer um mecanismo de contenção para que este abandonasse eventuais estratégias expansionistas e belicosas. Esta foi a tônica que prevaleceu na atuação internacional dos países europeus ao longo dos últimos quatro séculos. A construção de alianças – mais do que a promoção de interesses comuns – tinha o objetivo de conter eventuais ações ou o crescimento desproporcional de um possível inimigo. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) partiu desse mesmo pressuposto em sua conceitualização inicial com o objetivo de combater, resistir ou conter a União Soviética e, depois do colapso desta, da Rússia. O artigo 5º, que assegura a defesa coletiva, é o retrato desta política de alianças.

O elemento nuclear, no entanto, alterou profundamente este cenário. A bomba nuclear potencializou, substancialmente, a capacidade letal dos países detentores da tecnologia. O balanço de poder agora somente seria possível ao se ter uma aliança com um país nuclearmente armado como maneira de garantir algum tipo equilíbrio no jogo de poder global. As tensões passaram a ser mais frequentes, afinal, o clube dos países detentores de armas nucleares conta com poucos membros: China, Coreia do Norte, Estados Unidos, França, Índia, Israel, Paquistão, Reino Unido e Rússia. A bipolarização entre os dois maiores detentores de armas – Estados Unidos e União Soviética – levou a um período de tensão contínua provocada pela Guerra Fria, que durou de 1945 até 1991. O mundo, cuja paz e estabilidade, fora mantida pela política de alianças, passou a sofrer as consequências de uma paz global assegurada não pelo amor à paz, mas sim pelo temor de um eventual e devastador embate nuclear. A paz mantida na forma de um balanço do terror passou a ser garantida pelo temor de uma guerra total, caracterizada pelas desigualdades, riscos e falta de confiança. Criamos um ambiente de uma paz totalmente insalubre, com uma manutenção cada vez mais difícil.

Tentou-se criar um regime para não proliferação de armas nucleares. O objetivo era evitar que se propagasse o uso de armas nucleares entre vários países, além de tentar controlar-se um aumento ainda mais considerável da letalidade das armas desenvolvidas pelos países detentores da tecnologia. O Tratado de Não-Proliferação (TNP) tem tido relativo êxito. No entanto, a expansão territorial de alianças militares – embora não represente a proliferação das armas nucleares – significa, de fato, uma expansão da garantia de defesa a partir de uma ameaça nuclear. Suécia e Finlândia, ao alterarem sua posição de neutralidade para entrarem na OTAN, embora afirmem não querer a presença de armas nucleares em seu território, fazem-no sob o manto da proteção nuclear. E isto é tão perigoso quanto à efetiva expansão nuclear.

Ao início da Guerra da Ucrânia, que já chegou ao seu terceiro mês, Vladimir Putin escalonou a retórica ao afirmar que poderia utilizar armas nucleares em sua chamada Operação Militar Especial. No mundo inteiro, o alerta vermelho acendeu e embora Putin não tenha utilizado, a preocupação cresceu. A guerra de narrativas e a tentativa de estrangular a Rússia são estratégias perigosas para a paz global.

O mundo aprendeu, nos últimos meses, que sanções não funcionam e que não se consegue eliminar um país do tamanho e importância da Rússia do cenário global. A recuperação acelerada do rublo deveria servir como advertência no sentido de que, na era da globalização, o ostracismo internacional pode até funcionar em pouquíssimas ocasiões e dependendo da relevância econômica do país sancionado.

A grande herança desta Guerra da Ucrânia, além do processo de reorganização da governança global, certamente incluirá o surgimento de novas praças globais financeiras e para investimento. Afinal, a expropriação dos ativos por parte de alguns países ocidentais é temerária e, de fato, quebra a confiança não somente nestes países, mas no próprio sistema financeiro global. Desta forma, a pandemia da Covid-19, a Guerra da Ucrânia e a quebra de confiança nos países supostamente mais consolidados são elementos disruptivos e indicativos de uma nova fase na história mundial. Caberá aos países mais inteligentes transformar estes desafios em possibilidades de avanço.

Para aqueles que ambicionam reviver a Guerra Fria, a esperança é de que a ascensão de novas potências no cenário global – ao invés de reavivar tal tipo de confronto – a enterrem como um período triste e tenso da história moderna.

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*Marcus Vinícius De Freitas
Professor Visitante, China Foreign Affairs University
Senior Fellow, Policy Center for the New South

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