Suspensão de produtos líquidos ocorreu após inspeções realizadas pela Anvisa em fábrica no interior de São Paulo

Julio Cezar Souza Publicado em 14/05/2026, às 11h51
A Unilever informou ter alertado autoridades sanitárias brasileiras sobre possíveis contaminações microbiológicas em produtos da Ypê meses antes da decisão da Anvisa de suspender a fabricação e comercialização de itens líquidos produzidos pela Química Amparo. A informação foi confirmada pela Folha de S.Paulo.
Segundo documentos encaminhados à Anvisa e à Secretaria Nacional do Consumidor ainda em 2025, análises laboratoriais teriam identificado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em diferentes lotes de produtos da linha Tixan Ypê Express.
A denúncia inicial foi protocolada em outubro do ano passado e mencionava quatro lotes de lava-roupas das versões “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, todos com validade até junho de 2027. Os testes foram realizados internamente e também pelo laboratório Charles River, citado pela multinacional como referência em análise genética.
Nos documentos, a empresa afirma que os produtos apresentavam “desvio microbiológico relevante” e risco potencial à saúde dos consumidores. A denúncia também sustenta que houve correspondência genética completa entre os microrganismos encontrados nas amostras e os dados presentes no banco genético utilizado pelo laboratório.
A Unilever afirmou ainda ter tomado conhecimento de um suposto recolhimento discreto de produtos da linha Tixan Ypê Express no mercado, situação que teria motivado o aprofundamento das investigações laboratoriais.
Meses depois, em março de 2026, uma nova denúncia foi apresentada às autoridades. Desta vez, o documento apontava contaminação em outros 14 lotes de produtos da Ypê analisados pelo laboratório Eurofins.
Entre os itens citados estavam versões das linhas Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Ypê Power Act e até detergentes lava-louças. Segundo a denúncia, todos apresentaram traços da bactéria Pseudomonas aeruginosa.
O relatório também menciona a identificação genética de outros microrganismos em parte dos lotes analisados, incluindo Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter baumannii, bactérias associadas a infecções e consideradas relevantes para a saúde pública.
Em nota, a Unilever declarou que realiza testes periódicos em produtos próprios e de outras marcas como parte das práticas comuns do setor. A empresa afirmou ainda que comunica as autoridades sempre que resultados considerados relevantes são identificados.
Após as denúncias, a Anvisa realizou inspeções na unidade industrial da Química Amparo, localizada no interior de São Paulo. Neste mês, o órgão determinou a suspensão da fabricação e da comercialização de produtos líquidos produzidos no complexo industrial, incluindo detergentes, lava-roupas e desinfetantes.
A Química Amparo ainda pode apresentar esclarecimentos e medidas corretivas às autoridades sanitárias durante o andamento das investigações.
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