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Prevenção ao Câncer de Mama

Mamografia passa a ser indicada pelo Ministério da Saúde a partir dos 40 anos

Ação busca responder ao aumento de casos entre mulheres mais jovens

Novas regras para mamografias visam prevenção do câncer de mama - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Novas regras para mamografias visam prevenção do câncer de mama - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 23/09/2025, às 20h32


Em resposta ao crescimento alarmante dos casos de câncer de mama entre mulheres jovens, o Ministério da Saúde do Brasil anunciou, nesta terça-feira (23), alterações significativas nas diretrizes para a realização de mamografias. Essas mudanças visam não apenas a prevenção, mas também o diagnóstico precoce da doença.

A partir de agora, as mamografias serão recomendadas para mulheres na faixa etária de 40 a 49 anos, permitindo que o exame seja realizado sob demanda, conforme a solicitação da paciente e a indicação de um profissional de saúde. Essa mudança representa um avanço significativo, uma vez que anteriormente as orientações restringiam o acesso ao exame apenas a mulheres com idades entre 50 e 69 anos, realizadas a cada dois anos.

José Barreto, diretor do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, destacou que as normas que limitavam o acesso a mamografias para mulheres nessa faixa etária serão revogadas. "Nosso objetivo é criar uma das maiores redes de prevenção contra o câncer no mundo", enfatizou Barreto.

As novas diretrizes estabelecem que:

  • Mulheres de 40 a 49 anos: acesso garantido ao exame sem a obrigatoriedade de rastreamento bienal.
  • Mulheres de 50 a 74 anos: rastreamento populacional a cada dois anos.
  • Acima de 74 anos: decisão sobre a realização do exame deve ser individualizada, considerando comorbidades e expectativa de vida.

A ampliação da faixa etária para o rastreamento é vista como um incentivo para que mais mulheres realizem exames regulares. A mamografia é reconhecida como o principal método para identificar precocemente alterações indicativas do câncer de mama, como nódulos e espessamentos nos tecidos mamários.

A Sociedade Brasileira de Mastologia já recomendava que mulheres começassem a realizar mamografias anualmente a partir dos 40 anos. Dados do Ministério da Saúde indicam que em 2024, mais de um terço das mamografias realizadas no país foram em mulheres abaixo dos 50 anos.

No contexto dessas mudanças, Mozart Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde, ressaltou que essas iniciativas fazem parte de uma estratégia mais abrangente para prevenir doenças. Em maio, foi lançado o programa das carretas da saúde, que fornecerá consultas e exames em várias localidades. Estima-se que até outubro, 27 unidades móveis estejam operando em 22 estados do Brasil.

Sales alertou para o fato preocupante de que cerca de 37% dos diagnósticos de câncer de mama no país são feitos em estágios avançados (4 ou 5). Além disso, o Ministério da Saúde introduzirá um manual voltado para profissionais da atenção primária visando auxiliar no diagnóstico precoce e na identificação de casos suspeitos.

Outro aspecto importante anunciado é a destinação de R$ 100 milhões em parceria com o CNPq para pesquisas focadas em cânceres como os de mama, colo do útero e colorretal.

No tocante aos tratamentos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), novas medicações foram incorporadas dentro do primeiro Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) voltado especificamente ao câncer de mama. Entre os novos medicamentos estão:

  • Inibidores de CDK 4/6: atuam bloqueando proteínas que promovem a divisão celular, ajudando no controle do crescimento tumoral em casos avançados.
  • Trastuzumab emtansina: uma terapia-alvo que combina anticorpos com quimioterapia, direcionando tratamento diretamente às células tumorais.
  • Supressão ovariana medicamentosa: reduz temporariamente os níveis de estrogênio, hormônio relacionado ao crescimento do câncer.
  • Fatores estimuladores de colônia: utilizados para reduzir riscos durante quimioterapias intensivas.
  • A ampliação da neoadjuvância: agora incluirá tumores em estágios iniciais (I a III), permitindo tratamentos antes da cirurgia para aumentar as chances de preservação da mama.

O câncer de mama permanece como o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e globalmente (excluindo os tumores não melanoma). O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as taxas de cura e expandir as opções terapêuticas disponíveis. Com estas novas diretrizes e medidas implementadas pelo Ministério da Saúde, espera-se uma diminuição nos diagnósticos tardios e uma maior acessibilidade tanto aos exames quanto aos tratamentos modernos oferecidos pelo SUS.


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