Fernanda Martinez sofre de síndrome de Ehlers-Danlos

Mateus Omena Publicado em 01/11/2022, às 18h18
Uma jovem de 24 anos enfrenta dificuldades para realizar um tratamento contra uma doença rara, por conta dos bloqueios realizados por caminhoneiros e outros manifestantes contrários à derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições.
Fernanda Martinez sofre de uma condição rara, a síndrome de Ehlers-Danlos. Para se manter viva, ela necessita de alimentação parenteral, que é administrada por via intravenosa. No entanto, a produtora de conteúdo para redes sociais não consegue chegar à Florianópolis (SC) para efetuar o tratamento.
Em entrevista à BBC Brasil, Fernanda contou que os tumultos que colocam sua saúde em risco começaram logo na noite de domingo (30), depois que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou a vitória de Lula (PT) na disputa pela presidência. Ela explicou também a gravidade da doença e como se manifesta.
"De modo geral, o quadro torna as articulações, pele, vasos sanguíneos e órgãos mais frágeis. Cada paciente é afetado de maneiras e intensidades diferentes. No meu caso, além dos sintomas mais comuns, desenvolvi uma série de complicações no trato gastrointestinal. Atualmente, meu estômago e intestinos não conseguem mais digerir e absorver nutrientes suficientes para me manter viva", detalhou.
A paralisia do trato digestivo ocorre quando o movimento dos alimentos que estão no estômago diminuem ou param, impedindo que cheguem ao intestino.
Ao longo dos anos, a jovem apresentou cada vez mais dificuldade em se alimentar pela boca. Mesmo tentando diferentes tratamentos, Fernanda se tornou vítima de uma desnutrição severa.
"Passei a me alimentar por uma sonda direto no intestino e fiquei estável por cerca de um ano, quando as complicações evoluíram novamente. Desde então, estou em nutrição parenteral, administrada através de um cateter no peito, em uma das veias que chegam ao coração. Como é direto na veia, ela não depende do funcionamento do trato gastrointestinal."
Ela fica totalmente dependente do funcionamento das vias, pois o estado de Santa Catarina não possui muitos laboratórios para manipular esse tipo de nutrição, que vem de Curitiba (PR).
"Elas possuem uma validade curta, recebo apenas o necessário para um dia, todos os dias. Como eu não consigo me alimentar e nem beber água de outras formas, não receber é como ficar em jejum."
Devido à falta de resposta por parte dos organizadores dos bloqueios e sua insistência por um golpe militar, Fernanda ficou sem previsão de entrega.
"Apesar do laboratório estar em contato direto com a PRF e estar transportando não só a minha nutrição, mas também para outros hospitais em todo Estado, em muitos trechos não é possível passar", lamentou.
Diante da situação, Fernanda sofre por não saber quando poderá se alimentar e luta por sua sobrevivência. "Fica o sentimento de angústia e impotência por depender de um serviço que pode ser facilmente prejudicado, por não sabermos quando ou se chegará e por não conseguirmos fazer muita coisa em relação a isso".
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