Criança faleceu devido a uma complicação extremamente rara chamada meningoencefalite, uma inflamação no cérebro e nas meninges

William Oliveira Publicado em 10/12/2024, às 11h03
A morte de uma menina de apenas 1 ano, que aconteceu em setembro, está sendo investigada pelas autoridades de saúde do Ceará, devido à suspeita de que a causa tenha sido uma infecção rara provocada pela ameba Naegleria fowleri, popularmente conhecida como "comedora de cérebros". A menina, moradora de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, faleceu devido a uma complicação extremamente rara chamada meningoencefalite, uma inflamação no cérebro e nas meninges, provocada pela ameba.
Embora o caso tenha ocorrido há alguns meses, a confirmação oficial da causa da morte ainda está aguardando a análise de laudos técnicos. O Ministério da Saúde foi chamado para apoiar a investigação e o processo de confirmação.
O que é a Naegleria fowleri?
A Naegleria fowleri é uma ameba que, em raríssimos casos, pode invadir o sistema nervoso humano, levando a uma infecção fatal. Essa ameba é única porque pode penetrar diretamente no cérebro ao ser introduzida no corpo por meio da água. A infecção que ela causa é conhecida como meningoencefalite amebiana primária (MAP), e a taxa de mortalidade estimada é altíssima, cerca de 97%, conforme dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos.
No Brasil, até o momento, não existem registros oficiais que confirmem a infecção de seres humanos por essa ameba, segundo o secretário executivo de Vigilância em Saúde, Antonio Silva Lima Neto, também conhecido como Tatan. Embora a Naegleria fowleri seja mais frequentemente encontrada em ambientes naturais, como lagos, lagoas e rios de águas quentes, no caso da menina de Caucaia, a suspeita é de que a contaminação tenha ocorrido dentro de sua própria casa.
De acordo com o secretário Tatan, a Naegleria fowleri se reproduz em ambientes aquáticos com temperaturas superiores a 24°C, como ocorre frequentemente em reservatórios de água doméstica e em locais expostos ao calor. No caso da menina, a água contaminada foi encontrada no reservatório que abastecia a residência da família, o que levanta a possibilidade de que a infecção tenha ocorrido devido a um descuido com a manutenção da água.
Os sintomas da infecção por essa ameba, como febre alta, dor de garganta e faringite, são bastante comuns e podem ser confundidos com outras doenças, o que dificulta o diagnóstico precoce e, consequentemente, o tratamento adequado. O alerta para a possibilidade de infecção por Naegleria fowleri só surgiu após o óbito, quando o Serviço de Verificação de Óbitos identificou fragmentos biológicos compatíveis com a infecção no corpo da criança e, então, coletou amostras para análise.
Presença da ameba em outros locais
Um estudo recente, com a participação de pesquisadores brasileiros, publicado na revista FEMS Immunology & Medical Microbiology, revelou que a Naegleria fowleri não está restrita apenas a corpos d'água naturais. Além das águas de lagos, rios e lagoas, cistos da ameba também foram encontrados em lugares inesperados, como poeira hospitalar, filtros de aparelhos de ar-condicionado e até em garrafas de água mineral. Isso demonstra a capacidade da ameba de se dispersar de maneira mais ampla do que se imaginava, o que aumenta a preocupação com a segurança da água em diversos contextos.
Como prevenir?
A Secretaria de Saúde do Estado do Ceará tem reforçado a importância de se tomar medidas preventivas rigorosas para evitar a propagação da Naegleria fowleri. A principal orientação é a manutenção adequada de reservatórios de água e a realização de cuidados específicos em locais de banho expostos ao calor. É fundamental que os reservatórios de água em residências sejam limpos e tratados corretamente, para garantir que a água não seja um veículo para infecções.
Após a confirmação preliminar da presença da ameba na água que abastecia a casa da menina, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), em parceria com a Prefeitura de Caucaia, tomou medidas imediatas para evitar novos casos. Entre as ações adotadas, destacam-se a intensificação do processo de cloração e a melhoria nos métodos de filtragem da água que chega à região. Essas medidas têm como objetivo garantir que a água consumida pelos moradores da área esteja livre de contaminantes e que a população esteja protegida.
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