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Saber “dizer não” é uma arte que se aprende com estudo e observação

Saber “dizer não” é uma arte - Imagem: Reprodução | Freepik
Saber “dizer não” é uma arte - Imagem: Reprodução | Freepik
Reinaldo Polito

por Reinaldo Polito

Publicado em 12/05/2024, às 05h00


Vou dar algumas dicas simples e eficientes para você “dizer não” sem se sentir constrangido. Se tem permanecido quieto diante de pessoas folgadas, que não respeitam sua privacidade. Se tem cedido a pedidos inconvenientes de indivíduos que não respeitam o seu bem-estar. Está na hora de mudar. Entre se aborrecer por responder “sim” quando desejava “dizer não”, a chatear o outro por ter negado um pedido dele, prefira se sentir bem.

Conto rapidamente como nasceu o meu interesse por esse tema intrigante e muito desafiador.  Um de meus projetos literários mais acalentados foi o de escrever um livro ensinando a “dizer não”. Sempre que revelava a minha intenção, a maioria das pessoas dizia que essa era uma obra que precisava ler.

Um projeto da Benvirá

Os mais próximos confessavam sua dificuldade em negar pedidos, especialmente de amigos e de parentes. Ficavam aborrecidos com eles mesmos por terem dito sim, quando sua vontade era a de “dizer não”. Durante muitos anos pesquisei sobre essa matéria e observei o comportamento das pessoas que “diziam não” até com certa tranquilidade.

livro polito
Imagem: Acervo

Durante a pandemia, arregacei as mangas e mergulhei nessa tarefa. Aproveitei o convite da Editora Benvirá. Em pouco tempo concluí a obra “Saiba dizer não sem magoar as pessoas”. O subtítulo dado pela própria editora foi bastante sugestivo: “Como se comunicar de forma profissional”.

Embora o livro seja digital e as vendas realizadas exclusivamente pela Amazon, o resultado não poderia ter sido melhor. Os comentários e avaliações dos leitores foram animadores.

A justificativa é a grande arma para “dizer não”

Para “dizer não” é preciso encontrar uma justificativa relevante, convincente. Ela precisa superar ou pelo menos se equiparar em importância ao pedido que esteja negando.

Todas as informações são importantes para “dizer não”, mas nada pode ser mais significativo que a justificativa. Se ela for bem identificada, terá força para dar sustentação à sua recusa.

Não use justificativas banais

Desculpas esfarrapadas como, por exemplo, dizer que vai engraxar os sapatos, levar a calça para fazer a barra, escolher o tecido para reformar o sofá, não colam. Ao contrário, podem tornar a situação ainda mais complicada.

Ao pensar na justificativa, tenha em mente que ela deverá ser robusta, contundente. Será fácil entender que alguém tenha de ir ao aeroporto para buscar ou levar uma pessoa querida da família. Ficar isolado e concentrado para concluir um relatório que servirá para as decisões da empresa também é uma boa explicação. Participar de uma reunião de diretoria entra nesse pacote das boas justificativas.

No caso de resistência, repita a mesma justificativa

Por isso, pense nas justificativas que poderia dar para negar os pedidos que não gostaria de atender, evitando assim momentos de constrangimentos.

Dica muito importante. Não tente encontrar uma nova justificativa caso o interlocutor não aceite a sua explicação. Todas as vezes em que ele insistir no pedido, repita a mesma justificativa. Com certeza, em algum momento ele irá desistir. E se não desistir, não se preocupe, pois o chato está sendo ele e não você. Se tentar encontrar outra, sua posição ficará enfraquecida.

O tema é muito mais abrangente. Tanto assim que precisei escrever um livro para abordar a matéria de forma ampla. Mas, como eu disse, nada supera em importância uma boa justificativa. Vale a pena pensar nela todas as vezes em que tiver de “dizer não’.

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